A GEOGRAFIA DA PELE – UM BRASILEIRO IMERSO NA ÁFRICA PROFUNDA

Páginas: 364

ISBN: 978-85-01-10372-7

Edição: 1ª

Lançamento: 2015

Editora: Record

O mundo contemporâneo, com sua tecnologia digital, suas informações instantâneas, suas amplíssimas redes de comunicação, tem se tornado a cada dia mais unificado culturalmente; tem tornado o homem um ser perigosamente monoétnico. Não vejo alternativa, contra essa planificação da natureza humana, senão cultivar a busca pela diferença, o exercício radical da alteridade. Nesse sentido, A geografia da pele, de Evaristo de Miranda, é um dos mais importantes lançamentos do século, no Brasil ou em qualquer lugar.

O livro reconstitui a vivência do autor no interior do Níger. Trata de uma África muito pouco conhecida entre nós, porque não é a dos nossos candomblés, do samba ou da capoeira. Estamos no Sahel, zona de transição entre a savana e o deserto, onde a aridez do cenário e a miséria das pessoas contrastam com a exuberância das experiências subjetivas. Um mundo onde cada evento, por mais trivial, assume significações formidáveis, inconcebíveis para mentalidades pragmáticas (e digitais), como são as nossas.

É impossível não se emocionar, não vergar sob o impacto de tanta beleza logo nos primeiros capítulos, quando nos deparamos com besouros que escrevem, com árvores que morrem, até com uma parteira sem braços…

É bom lembrar que Evaristo não é um antropólogo, não é um sociólogo. Escreveu porque aqueles africanos deixaram nele uma marca indelével. E escreveu como escritor nato: fluente, simples e excepcional, que tem domínio absoluto da arte narrativa, além de um olhar profundo, devassador da circunstância humana.

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