UMA HISTÓRIA DA EMBRAPA MONITORAMENTO POR SATÉLITE


(17/06/2014)

Evaristo Eduardo de Miranda

1 – AS ORIGENS

1.1 – Em Petrolina (Pernambuco)

Em 1980, a Embrapa começou estruturar uma equipe de pesquisadores para trabalhar com as dimensões territoriais da agricultura e um laboratório de teledetecção espacial no Centro Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido – CPATSA, em Petrolina (PE). A iniciativa foi colocada sob a responsabilidade do Dr. Evaristo Eduardo de Miranda, coordenador do Programa Nacional de Pesquisa de Avaliação dos Recursos Naturais e Sócio-Econômicos do Trópico Semi-Árido – PNP 027. Inicialmente, o laboratório recebeu um equipamento que permitia conjugar positivos fotográficos de imagens Landsat. A grande maioria das pesquisas eram realizadas com imagens analógicas. Posteriormente, em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, o laboratório recebeu uma Unidade de Análise de Imagens – UAI – remota, para tratamento de imagens orbitais de satélites meteorológicos. Era o início do tratamento digital de imagens. Em 1981, o Ministro Mário Andreazza visitou os trabalhos pioneiros realizados pela equipe na região de Ouricuri (PE), levando pela primeira vez a pesquisa agropecuária para as propriedades rurais e fazendo da situação da pequena agricultura um objeto de ciência e tecnologia. Em 1982, o Dr. Evaristo coordenou a organização do I Simpósio Brasileiro do Trópico Semi-Árido, em Recife, em colaboração com o CNPq. O evento contou com a participação de mais de 50 países e teve milhares de trabalhos apresentados. Os jornais O Estado de São Paulo e o Jornal da Tarde, organizaram em Recife um debate sobre o tema da seca, da agricultura e do meio ambiente no Nordeste e seus reflexos sociais, coordenado pelo jornalista Rodrigo Mesquita e do qual participaram o Governador do Estado e vários técnicos da região, dando início a uma frutuosa parceria com o Grupo Estado. No final de 1982, o Dr. Eliseu visita na França, o trabalho desenvolvido pelo Drs. José Roberto Miranda em colaboração com o CIRAD-PRIFAS. Vários estudantes de mestrado e doutorado do INPE foram convidados a virem realizar suas pesquisas nas áreas de trabalho do PNP 027. Os pesquisadores do CPATSA passaram a ir a São José dos Campos para tratar imagens digitais do Landsat, em fitas previamente adquiridas, num computador conhecido como I-100, em horários pré-determinados, em geral de madrugada. Os resultados eram fotografados e reproduzidos posteriormente em papel. Foi um tempo meio heróico e divertido do início do tratamento digital de imagens orbitais, em 1982.

Atuando em todo o Nordeste, o laboratório de teledetecção espacial do CPATSA contribuiu na identificação e no mapeamento de áreas com potencial para irrigação, das regiões propícias ao cultivo da soja, da repartição espacial dos pequenos agricultores para os Programas de Desenvolvimento Rural Integrado – PDRI, das diversas unidades de caatinga, do zoneamento agroecológico do Nordeste, dos recursos hídricos superficiais etc. A presidência da EMBRAPA, através do Dr. Eliseu Alves, apoiou com recursos financeiros o emprego e o desenvolvimento dessas tecnologias modernas de monitoramento da agricultura, através de projetos de pesquisa no PNP 027. O presidente João Batista Figueiredo visitou o laboratório em 1984, acompanhado pelo Dr. Eliseu e diversos ministros. Na ocasião, o general Venturini, estabeleceu um primeiro contato com a equipe de pesquisadores para obtenção de informações territoriais e agrárias do semi-árido brasileiro, relevantes para a Presidência da República e o Dr. Eliseu sugeriu o desenvolvimento de trabalhos análogos no SNLCS, hoje Embrapa Solos.

O Programa Nacional de Pesquisas de Avaliação dos Recursos Naturais e Sócio-econômicos do Trópico Semi-Árido desenvolveu em quatro anos uma centena de projetos de pesquisa em todos estados do Nordeste, em colaboração com mais de 700 pesquisadores do Sistema Embrapa, das Universidades Estaduais e Federais da região, das empresas estaduais de pesquisa e de outras instituições nacionais e estrangeiras como a SUDENE, as CEPAs, o IRD, o CIRAD etc. Em junho de 1985, o laboratório recebeu a visita do Presidente José Sarney, que viera “aconselhar-se junto às águas do rio São Francisco”, no início do seu mandato. O Presidente interessou-se bastante pelas aplicações dessa tecnologia de monitoramento da agricultura, ampliando um contato embrionário existente entre o Conselho de Segurança Nacional e a Embrapa, nesse campo de atuação. A Diretoria da Embrapa já havia transferido, no início do ano o Dr. Evaristo para a Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, com o objetivo de modernizar a área de cartografia e levar contribuições dessa tecnologia de monitoramento por satélite para aquela unidade. Em plena fase de transição entre as duas unidades, com a mudança na Presidência da Embrapa e a entrada do Pinheiro Machado, a nova diretoria interrompeu essa iniciativa. Ela definiu a criação de um laboratório de teledetecção espacial, focado nas questões de impacto ambiental da agricultura, no recém-renomeado Centro Nacional de Pesquisa de Defesa da Agricultura – CNPDA, em fase de instalação e reformulação em Jaguariúna, em S. Paulo. O Dr. Evaristo já colaborava com essa nova unidade da Embrapa, desde a elaboração do seu primeiro Programa Nacional de Pesquisa de Defensivos Agrícolas, através da pessoa do ecólogo Dr. Perseu F. dos Santos, e foi transferido para a Unidade em junho de 1985. Da mesma forma, ele também havia participado da equipe de criação do Centro Nacional de Pesquisa do Pantanal, em Corumbá.

1.2 – Em Jaguariúna (São Paulo)

Em 1986, com a transferência para Jaguariúna, o laboratório começou a estruturar-se, tanto em termos de equipamentos, como de pessoal. Parte da equipe de Petrolina foi transferida para a Unidade, assim como outros técnicos da Embrapa vindos de Brasília. Outros colaboradores foram agregados via um contrato de prestação de serviços com a empresa pública de aerolevantamento Terrafoto do governo do Estado de São Paulo, assinado em junho. Em 1987, o Dr. Evaristo E. de Miranda, Luiz E. Mantovani e José Roberto Miranda foram contratados pelo reitor da Universidade de São Paulo, José Goldemberg, para ministrar cursos e desenvolver projetos na área de avaliação de impacto ambiental. Estagiários da USP começaram a ser admitidos nas atividades do laboratório de Jaguariúna que recebeu do INPE o seu primeiro Sistema de Tratamento de Imagens – SITIM, fabricado pela Engespaço em São José dos Campos. As atividades em colaboração com o antigo Conselho de Segurança Nacional, agora Secretaria de Assessoramento da Defesa Nacional – SADEN, prosseguiram. Em São Paulo, ampliaram-se os trabalhos com a CPA da Secretaria de Agricultura de São Paulo na região de Itararé e Capão Bonito, com a SUDELPA no vale do Ribeira, com a Eletropaulo na região do vale do Paraíba e com o Ministério Público na região de Cubatão e da Serra do Mar, erando resultados significativos e inovadores. No Rio Grande do Sul, a equipe deu início a uma projeto piloto de cadastro vitícola na região de Bento Gonçalves em colaboração com a Embrapa Uva e Vinho. No Paraná prosseguiu a interação com o IAPAR no âmbito do Programa PRORURAL voltado para os pequenos agricultores etc. Ampliou-se o relacionamento com a mídia e a participação da equipe na elaboração do Guia Rural Abril.

Em setembro de 1986, o Presidente José Sarney solicitou ao Dr. Evaristo E. de Miranda e ao Dr. Perseu de realizarem uma missão ao Território Federal de Fernando de Noronha. O relatório apresentado levou a uma série de medidas e iniciativas por parte da Presidência da República. Assim, teve início um projeto de pesquisas no arquipélago que vai durar quatro anos, envolver outras unidades da Embrapa, e permitir a realização de dissertações de mestrado e diversas publicações. O presidente José Sarney visitou o arquipélago e os trabalhos da Embrapa durante alguns dias, assim como o Governador Orestes Quércia e outras autoridades. A equipe da Embrapa colaborou na definição do Parque Nacional de Fernando de Noronha, e os Drs. José Roberto Miranda e Evaristo E. de Miranda foram responsáveis pela inclusão da parte terrestre do arquipélago no projeto do futuro parque, inicialmente concebido apenas como marinho. O Ministro Íris Rezende, acompanhado do presidente da Embrapa, Dr. Ormuz Rivaldo, visitaram e inauguram as novas instalações do laboratório de teledetecção espacial em Jaguariúna. Um relatório preliminar sobre o impacto ambiental da instalação da base de lançamento de foguetes de Alcântara foi elaborado pelo Dr. Evaristo a partir de uma demanda do Ministério da Aeronáutica.

Em Jaguariúna, o Dr. Evaristo assumiu a coordenação do Programa Nacional de Pesquisa de Defesa da Agricultura e posteriormente a Chefia Técnica Adjunta do Centro Nacional de Pesquisa de Defesa da Agricultura. A Presidência da República e a SADEN envolveram a equipe com diversas ações e tarefas, como o monitoramento da invasão de garimpeiros no território dos índios ianomamis, os impactos da colonização agrícola ao longo da BR-364, o Programa Calha Norte, a criação de unidades de conservação, o monitoramento da expansão agrícola nos cerrados, e posteriormente com a criação da primeira reserva extrativista d seringueiros do Alto Juruá no Acre, com as discussões do Projeto PMACI – Acre, junto ao BID em Washington etc. A mídia passou a divulgar com freqüência os trabalhos realizados pela equipe e ampliaram-se os contatos revistas como a Veja e Isto É, com a Agência Estado e o grupo do jornal “O Estado de São Paulo”, além de ouros veículos de comunicação. A equipe cooperou ativamente com a redação do atual capítulo do meio ambiente da Constituição Federal do Brasil, cujo primeiro esboço foi redigido em Jaguariúna, em colaboração com o deputado Fábio Feldman.

O jornalista Rodrigo Mesquita levou diversas sugestões sobre as questões ambientais ao Presidente da República, em companhia do Dr. Evaristo, indicando a necessidade de uma ampla reformulação dos organismos federais e das políticas públicas nessa área. A SADEN foi encarregada de estruturar uma ampla revisão da política ambiental e das instituições federais envolvidas. O Dr. Evaristo coordenou o grupo de trabalho III voltado para a temática do monitoramento territorial. Todo esse esforço concretizou-se no Programa Nossa Natureza, lançado pelo Presidente José Sarney, revisando amplamente e porpondo uma nova a legislação ambiental, criando o IBAMA etc. A equipe participou ativamente do primeiro mapeamento do desmatamento da Amazônia, realizado pelo INPE, e que deu origem ao futuro programa PRODES.

2 – Criação do Núcleo de Monitoramento Ambiental – NMA (Campinas)

No âmbito desse amplo conjunto de medidas estratégicas do Programa Nossa Natureza, o Presidente José Sarney enviou, em maio de 1989, um memorando presidencial ao Ministro da Agricultura Íris Rezende, recomendando a criação de uma unidade de monitoramento territorial pela Embrapa, tendo como núcleo inicial a equipe e os equipamentos do laboratório de teledetecção espacial do CNPDA em Jaguariúna. Foi a primeira e provavelmente até hoje a única unidade da Embrapa criada por uma determinação presidencial. Uma deliberação da diretoria da Embrapa, presidida pelo Dr. Carlos Magno, criou então o Núcleo de Monitoramento Ambiental e de Recursos Naturais por Satélite em Campinas.

O Dr. Evaristo foi designado chefe geral da Unidade. Um quadro de cerca de 45 funcionários foi desenhado pelo departamento de recursos humanos da Embrapa e sua seleção e contratação tem início. Foi alugado um chalé, próximo à Escola Preparatória de Cadetes do Exército, para acolher os equipamentos e a equipe. Vários estagiários, bolsistas e orientados da USP e da UNICAMP foram selecionados e convidados a integrar o quadro de pesquisadores da Unidade nessa ocasião. Novos colaboradores vieram de Brasília. O Dr. Carlos Magno visitou suas instalações provisórias, ainda em 1989.

Não houve nenhuma interrupção nas atividades de pesquisa e prestação de serviços durante essa transição. A equipe deslocou-se para Machadinho d´Oeste em Rondônia para realizar mais um levantamento dos pequenos agricultores, dando continuidade ao trabalho iniciado em 1986. A chefia da unidade aprovou, entre outros, um importante projeto de pesquisa junto à Fundação Banco do Brasil: o Monitoramento Ambiental da Amazônia – MAM que contribuiu na aquisição de móveis e equipamentos da nova Unidade, agora instalada num prédio mais adequado, localizado no Parque São Quirino. O mesmo ocorreu com o contrato celebrado para a realização do Zoneamento Agroecológico do novo Estado do Tocantins. Ainda no final de 1989, a economista Zélia Cardoso de Mello e sua equipe reuniram-se em S. Paulo, em diversas ocasiões, com o Dr. Evaristo para discutir questões ambientais e territoriais encaminhadas ao candidato Fernando Collor. Em janeiro de 1990, o Dr. Evaristo foi designado membro da equipe de transição presidencial e trabalhou no “Bolo de Noiva” na proposta de criação e consolidação do futuro Ministério do Meio Ambiente e do programa do governo federal nessa área e no setor agrícola. No início do ano, o ambientalista Luiz Lutzemberger assumiu a pasta e o pesquisador Murilo Flores, ex-chefe do CNPDA a presidência da Embrapa. O Dr. Evaristo teve diversas reuniões com o Presidente Collor e a com a equipe sucessora da SADEN, agora Secretaria de Assuntos Estratégicos – SAE. Acompanhou-o em viagens como a realizada em Surucucu em Roraima. A Unidade também assessorou, posteriormente, alguns trabalhos coordenados na SAE pelo Dr. Eliezer Batista, voltados para os macro-eixos de desenvolvimento. Em 16 de janeiro de 1990, faleceu a primeira pesquisadora da Unidade, Mary Aparecida dos Santos, vitimada por um vírus raro e fatal.

3 – A consolidação do NMA junto à sociedade

Em 1991, a equipe começou um novo projeto de pesquisas na região do alto rio Negro, com diversos parceiros, intitulado “Rio Demene, um caminho para a Amazônia”. Expedições foram organizadas na região. O trabalho do zoneamento agroecológico do Tocantins teve continuidade, assim como os projetos do MAM e do SGI-Nordeste. Também uma série de mapeamentos inéditos do município de Campinas e da sua região metropolitana começou a ser executada. Em outubro, o Dr. Evaristo deixa a chefia geral da Unidade e é substituído pelo Dr. José Ruy. O Dr. José Roberto Miranda assume chefia geral da Unidade em março de 1993, dando continuidade às atividades de pesquisa e prestação de serviço num contexto institucional bastante desfavorável. Ele amplia rapidamente o leque de parcerias e contratos da Unidade, consolidando cada vez mais sua imagem pública e a teia de relacionamentos institucionais. Ele engaja, também, a equipe do NMA na preparação da Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento ao estabelecer uma cooperação estreita com o CNPq e a Rede Nacional de Pesquisa – RNP. A Unidade foi uma das primeiras da Embrapa a ter acesso à Internet, via rede ANSP da FAPESP e logo construi o seu site. A equipe moderou várias listas de discussões da Rio-92 e alguns pesquisadores atuaram como consultores da UNCED nesse importante evento internacional. O Monitoramento Orbital de Queimadas, estruturado durante o Governo Sarney, teve seus resultados distribuídos pela Agência Estado e posteriormente foram disponibilizados no site da unidade. Em 1993 teve início um projeto de pesquisas sobre o gafanhoto do Mato Grosso, em colaboração com o CIRAD-PRIFAS, que vai durar até 1996, gerando diversas publicações científicas, mapas e livros. Em 1994 e 1995, paradoxalmente, enquanto perde pesquisadores e tem seu quadro de funcionários foi sendo reduzido, a equipe da unidade, sob a liderança do Dr. José Roberto, desdobrou-se e ampliou sua participação em diversas redes de pesquisa como na RIMISP (Chile), no INFORUM (USA), com a ACT (USA), com o CIRAD, com o CNES no programa da plataforma POLDER (França), com a AGL da FAO em Roma e com a DG XII da União Européia em Bruxelas. No segundo semestre de 1994, a Unidade recebeu a primeira antena de recepção de imagens do satélite NOAA e ampliou o trabalho de Monitoramento de Queimadas. Em 6 em novembro de 1995, faleceu Celina Batista Leite, secretária da chefia da Unidade e colega muita querida de todos, após uma longa enfermidade. Em 1996, a unidade deu continuidade às suas pesquisas e consolidou cada vez sua imagem pública e institucional. O site da unidade já era um dos mais visitados de toda a Embrapa, enquanto a chefia geral atendia demandas de diversos setores da sociedade civil, em particular dos movimentos ambientalistas, indigenistas, do Ministério Público Estadual e Federal, das prefeituras, assim como do setor privado, ligado ao agronegócio (açúcar e álcool). Também no Poder Legislativo, a Unidade passou a assessorar e fornecer informações de monitoramento por satélite para diversos deputados federais e estaduais em suas atuações e projetos de lei, além de atender o Poder Judiciário em inquéritos, principalmente através da Polícia Federal e sob a demanda de perícias por parte de juizes. A cooperação com o Ministério do Exército foi ampliada, principalmente com o Comando Militar do Sudeste, o Comando de Operações Terrestres, as unidades da região de Campinas, o CIAVEx e a Escola de Estado Maior – ECEME-CPEAEx do Rio de Janeiro.

Em 1997, a unidade comprou uma nova antena de aquisição de dados NOAA, junto com outras aquisições realizadas pelo Exército brasileiro e ampliou sua interação científica com o JRC (Ispra-Itália) e sua cooperação com o Exército Brasileiro que alocou oficiais em formação na Unidade e passou a operar antenas em conjunto. A equipe fez propostas para o Programa Probatório do satélite sino-brasileiro CBERS a convite do INPE e foi a única entidade de pesquisa do Hemisfério Sul a se qualificar para o Programa Probatório do satélite SPOT IV – VEGETATION. No final do ano, a Unidade integrou uma missão militar técnico-científica a Paris, acompanhando um grupo de oficiais generais e o Comandante Militar do Sudeste. A missão visitou empresas, como a Matra, estruturas de monitoramento por satélite da França em áreas reservadas, como o Centro de Formação Interarmas para Interpretação de Imagens (CF31) e o Centro de Programação Helios França (CPHF), que administra o satélite militar Helios, na base aérea de Creil. Visitou também o sistema móvel de recepção de dados orbitais de alta resolução na base americana de Ramstein na Alemanha. Em 1998, no episódio de queimadas e incêndios em Roraima, o Dr. José Roberto, em entendimentos com o Itamaraty e o Exército brasileiro, determinou o deslocamento de pesquisadores da Unidade para Boa Vista, onde instalaram uma antena móvel de recepção de dados NOAA e passaram orientar e apoiar de forma decisiva a operação de combate ao fogo, com um grande sucesso. Pelos resultados obtidos o chefe da Unidade foi agraciado com a Ordem do Forte de São Joaquim pelo Exército brasileiro. A Unidade participou mais ativamente do serviço Agrocast, da Agência Estado, voltado para o agronegócio, com diversos produtos e de desenvolveu novas ações conjuntas com a FAO de Santiago e de Roma. Nesse ano, a Unidade apoiou o trabalho de doutorado do pesquisador Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, sobre a estrada dos Goiáses, assim como sua equipe seguiu participando da orientação e de diversas bancas de mestrado e doutorado na USP, no INPE e na UNICAMP. O Dr. José Roberto, chefe da Unidade, negociou e obteve junto ao Dr. Alberto Portugal, presidente da Embrapa, recursos para a produção de mosaicos de imagens de satélite Landsat para alguns estados da Amazônia brasileira. Os produtos foram entregues ao Ministro da Agricultura que solicitou uma ampliação desse trabalho.

Em 1999, a Unidade começou a desenvolver um projeto junto a área citrícola com Emerson Fittipaldi, e o Dr. Evaristo participou da banca na defesa de tese de doutorado na FAU de Antonio da Costa Santos. A unidade envolveu-se com o programa do zoneamento ecológico-econômico dos macro-eixos do PPA junto com o Ministério do Meio Ambiente. Em 2000, o Dr. José Roberto, lutou pela transformação de núcleo NMA em centro nacional de pesquisa e obteve recursos junto à FAPESP para ampliar a infra-estrutura de redes e de computadores da Unidade. Começaram os entendimentos e teve início o trabalho de zoneamento ecológico-econômico do Maranhão. A Unidade começou a produzir os Cds e a disponibilizar no site a série “Brasil Visto do Espaço” que terá um grande impacto nacional e internacional. A chefia da Unidade entrega ao Presidente Fernando Henrique um poster – mosaico de imagens de satélite do Timor Leste para apoiar as ações brasileira na ilha. Cópias digitais e analógicas do mesmo documento também foram entregues ao embaixador Sérgio Vieira de Mello em Dilli e à equipe da CNBB que trabalhava na ilha. A Unidade desenvolveu trabalhos para o Ministério da Reforma Agrária, para a Procuradoria Geral da República e articulou e participou de um grande programa do Ministério da Agricultura para redução das queimadas, através do uso de tecnologias agrícolas alternativas, em articulação com o DGP e no qual foram investidos cerca de 5 milhões de reais pela Embrapa. A equipe participou do desenvolvimento de parte da doutrina de emprego e de exercícios do sistema de mísseis Astros como artilharia de costa e de campanha com o Exército brasileiro. Também houve participação técnica e operacional da Unidade nas manobras militares, realizadas no Espírito Santo e recebeu o Diploma de Reconhecimento da Fortaleza de Itaipu – 6GACosM.

Em fevereiro de 2001, o Dr. José Roberto Miranda passou a chefia geral da Unidade para o Dr. Ademar Romeiro da UNICAMP, aprovado no concurso público para Chefe Geral da Unidade. Nesse ano foi concluído e disponibilizado o projeto “Brasil Visto do Espaço” que atinge a marca de mais de um milhão de consultas diárias em seu site. A Chefia da Unidade buscou aprovar a doação de um terreno junto ao IAC e à PUC para a construção da futura sede própria da Unidade. Em 2002, as negociações para obtenção do terreno junto ao IAC fracassam e com a PUC, após uma série de definições e acertos, elas redundam numa negativa da Mantenedora. O Dr. José Roberto retomou as negociações com o Exército brasileiro visando obter a cessão de um terreno na área da XI Brigada Anhangüera, em Campinas. Em 2003, o Dr. Clayton Campagnola assumiu a presidência da Embrapa. O Dr. Evaristo e o pesquisador Marcelo Guimarães entregaram pessoalmente ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, uma série de produtos cartográficos e de imagens orbitais solicitados pela Presidência da República. Em 16 de dezembro de 2003, é assinado um acordo entre o presidente da Embrapa e o Comandante do Exército, com a presença do Ministro da Agricultura, para cessão da área para construção da sede própria da Unidade. O setor de engenharia e arquitetura da Embrapa sede prepara o projeto da futura sede da Unidade. A colaboração com o Gabinete de Segurança Institucional – GSI, que sucedeu à SAE, amplia-se e a unidade conclui e instala um sistema de geoweb para apoiar o sistema de assentimento prévio do GSI-PR. Em 25 de junho, ocorre o lançamento da pedra fundamental da Unidade com a presença do Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e de várias autoridades.

Em 20 de janeiro de 2005, Dr. Silvio Crestana assume a Presidência da Embrapa. Em fevereiro de 2005, o Dr. Evaristo E. de Miranda assume a chefia geral da Unidade, após passar em concurso público para o cargo. Em abril, durante a reunião do CAE, o Dr. Sílvio Crestana dá posse ao novo chefe da Unidade e promete empenho na construção da nova sede. A Unidade lança os resultados do Projeto “Brasil Visto em Relevo”, com base nos dados da missão espacial SRTM, no aniversário da Embrapa, em abril, e amplia consideravelmente sua velocidade de comunicação eletrônica via rádio para 38 giga. O DEPROS do MAPA solicita, aprova e financia um projeto de pesquisa visando a criação de um Índice de Sustentabillidade para os produtos agropecuários. Na mesma época ocorre a aprovação do projeto do Sistema de Gestão Territorial Estratégica para a AGE do MAPA. O contrato da construção da sede é aprovado e assinado em outubro e começam as obras imediatamente.

Em 2006, a Unidade obtém a aprovação e o financiamento do Sistema de Gestão Territorial para a Defesa Agropecuária com a SDS do MAPA, visando apoiar o Governo na prevenção e no controle da febre aftosa na fronteira do Brasil. O SIFEMA do Maranhão contrata a Unidade para realizar a cartografia da aptidão agrícola do Estado. Em outubro, falece o pesquisador e ex-chefe de P&D da Unidade, Marcelo Guimarães, após 6 meses de uma enfermidade incurável nos pulmões. Em novembro, com a chegada de novos funcionários e pesqusiadores a Unidade dá início a um processo de valorização e desenvolvimento de seus recursos humanos e gestão de competências.

11.38198439 Miguel

11.83465374 Fortunée

Max Multiespectral

VISITA AO EX-PRESIDENTE JOSÉ SARNEY

O pesquisador Evaristo E. de Miranda foi recebido em audiência pelo Senador José Sarney em sua residência em São Luís no Maranhão, a quem apresentou um relato das atividades da Embrapa Monitoramento por Satélite e dos projetos em andamento. O senador Sarney, que acompanha a Unidade desde a sua criação, felicitou a equipe do Centro, principalmente pelos projetos desenvolvidos atualmente com a Presidência da República. Ele enviou uma mensagem aos funcionários da Unidade e comprometeu-se a estar presente na inauguração da futura sede, prevista para 2007. Reiterou também a sua disponibilidade em cooperar sempre com a Unidade pelo sucesso do cumprimento de sua missão.

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