OS FLEXÍVEIS BAMBUS


(17/06/2014)

Evaristo Eduardo de Miranda

Os bambus são plantas monocotiledôneas (como lírios, palmeiras, bromélias, bananeiras, cana de açúcar, sizal, dracena e orquídeas) e pertencem à família Poaceae (ou Gramineae) que engloba gramíneas, capins e cereais. Existem cerca de 90 gêneros e mais de 1250 espécies de bambu, espalhadas por todo o mundo, salvo na Europa onde não ocorre nenhuma espécie nativa. Os bambus estão adaptados a diversos tipos de clima tropicais, subtropicais e temperados.

A haste principal do bambu é um colmo, ou seja, um tubo vazio com câmaras fechadas pelos nós. Ela pode dividir-se em ramos folhosos. Os colmos são lignificados e têm características de madeira. Apesar do bambu não ser uma árvore, fala-se normalmente de florestas de bambu.

Os colmos, ricos em silício, são duros, muito resistentes e seu tamanho pode variar de menos de um metro para os bambus anões e 10 m nos bambus gigantes. Essas características da haste dão grande flexibilidade e resistência aos bambus. Eles balançam e dobram sob a ação do vento e da neve mas não nunca se rompem. O bambu apresenta uma das maiores velocidades de crescimento do reino vegetal: pode chegar a um metro por dia. A ponto desse vigor ter sido utilizado pelos chineses no passado como uma forma de suplício.

As folhas do bambu seguem as características de todas as gramíneas: um limbo alongado, nervuras paralelas, um pecíolo curto e uma bainha, em geral grande, na zona de inserção no colmo. Como o pecíolo é muito curto, as folhas são entrecortadas, um caso único nas monocotiledôneas.

Quando o milho, o arroz ou o trigo frutificam, a planta morre. É uma característica das gramíneas. O bambu também, mas esse evento é muito raro. Sua floração é irregular e ocorre em espaços de dezenas de anos. Florestas de bambus negros da Ásia, bem monitoradas, floriram pela última vez em 1920. As flores aparecem na forma de pequenas espigas, nos colmos velhos e novos. O fruto e a flor são as estruturas menos conhecidas dos bambus. A floração simultânea todas as plantas ainda não foi cientificamente explicada.

No Brasil, as florestas de bambu do Acre recobrem mais de 35% do Estado, mas ocorrem em toda Amazônia. São pelo menos duas espécies Guadua superpa e Guadua angustifólia. Sua distribuição está associada a exploração e ao uso do fogo pelos homens no Neolítico. Em 1989, numa expedição científica no Alto Juruá, no Acre, tive a sorte de presenciar a floração e da frutificação dos bambus em quilômetros de extensão. Os frutos atraíam milhares de aves num ruído ensurdecedor. Logo as plantas secaram e começaram a desabar, tornando o local impenetrável e extremamente aquecido devido a ausência de transpiração vegetal.

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