LIBERADAS IMAGENS DOS SATÉLITES ESPIÕES


(17/06/2014)

Evaristo Eduardo de Miranda

Em breve qualquer pessoa poderá obter imagens de satélite com detalhes de um metro sem sair de casa. Com o fim da Guerra Fria os Estados Unidos liberaram o uso por civis de imagens iguais as obtidas pelos satélites espiões dos militares. As imagens da década de setenta são estão disponíveis via INTERNET. Um novo mercado de comercialização de imagens espaciais começa a ser criado, com uma velocidade impressionante e com consequências imprevisíveis.

Até alguns anos o máximo que pesquisadores e empresas podiam obter em termos de detalhes nas imagens de satélite era da ordem de 10 metros com o sistema SPOT da França e de 30 metros com o LANDSAT dos Estados Unidos. Foram os russos quem começaram a propor em 1992 imagens com dois metros de detalhes. Tratavam-se de versões degradadas de fotos tomadas pelos satélites espiões russos da quarta geração Yantar. Mas pedidos ocidentais de imagens do sítio nuclear da Coréia do Norte em Yongbyon ou de Sarajevo, por exemplo, não foram atendidos.

Nesse contexto os americanos retiraram suas restrições ao uso das tecnologias de seus satélites espiões por empresas privadas. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos autorizou as empresas World View Inc, Eyeglass e Space Imaging a desenvolver projetos que vão concorrer diretamente com a fotografia aérea tradicional. Isso representa, segundo a Revista Air&Cosmos, um mercado de 5 a 15 milhões de dólares por ano! Essas imagens servem diretamente para planejamento urbano, realização de obras públicas, cartografia tradicional, monitoramento do meio ambiente, além de poder apoiar a gestão de problemas militares como os conflitos de fronteira ocorridos entre o Equador e o Peru etc.

As empresas norte americanas estão investindo entre 150 e 500 milhões de dólares na construção dessa nova geração de satélites. A Worldview deverá lançar em 1996 o Earlybird. A cada quatro dias ele fornecerá imagens de qualquer parte do planeta com três metros de detalhe e em três dimensões. Na sequência virão o Quickbird, o SIS e o Eyeglass, com um metro de resolução em imagens branco e preto e quatro metros em imagens coloridas. Existem outros satélites previstos por parte de empresas como a Lockheed, a Greensat na Africa do Sul, etc. O Japão já estuda o lançamento do satélite ALOS, capaz de fornecer imagens com 2,5 metros de detalhes.

A maioria desses satélites será lançada através de pequenos foguetes, como os da OCD que lançaram há dois anos o satélite brasileiro SCD-1, construído pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O mercado desses lançamentos também deverá crescer.

A evolução nesse campo é constante. Pesquisadores do Núcleo de Monitoramento Ambiental por Satélites da EMBRAPA e da organização não governamental ECOFORÇA conseguiram aprovar, na semana passada, um projeto de uso das imagens do futuro satélite SPOT 4 da França pelo Brasil. Ele será lançado em breve e fornecerá diariamente dados sobre as queimadas e a evolução da vegetação na Amazônia. Também há cerca de um mes voou pela primeira vez, sem alarde, o avião alemão de pesquisas estratosféricas Strato 2C. Com uma envergadura de asas de 56,5 m ele é capaz de voar a 24 km de altitude e representa um novo elo na cadeia de monitoramento ambiental do planeta e do Universo. Esse monitoramento começa com equipamentos no solo e termina nos satélites espaciais cada vez mais numerosos.

O futuro comercial de todos esses empreendimentos ainda é incerto e dependerá também da rapidez e do custo de acesso às informações pelos usuários. Atualmente são necessários cerca de dois meses, na melhor das hipóteses, entre a tomada de imagem por um satélite SPOT ou LANDSAT e sua chegada nas mãos do usuário. Os sistemas de recepção das imagens estão evoluindo para forncecer em tempo real os dados gerados, graças as redes de computadores.

A concorrência está levando os russos a oferecerem dados de sua nova câmera KFA-3000 do satélite Recurso-T. Outros países planejam sistemas novos, inclusive o Brasil, com um inédito satélite em órbita equatorial, cobrindo prioritariamente as regiões tropicais. Um novo cenário comercial está se tornando possível: constrói-se um satélite militar com resolução de centímetros e vende-se para os civis imagens degradadas com resolução de um metro. Civis e militares usam o mesmo satélite com produtos diferentes.

Para um país de dimensões continentais como o Brasil e com uma dinâmica de ocupação territorial tão grande e diversificada, talvez essa nova geração de satélites venha representar um passo tão importante no monitoramento ambiental quanto foi o uso da lupa e do microscópio para a biologia e a medicina no passado. Loteadores de recursos naturais e criminosos ambientais que se cuidem.

1 comment for “LIBERADAS IMAGENS DOS SATÉLITES ESPIÕES

  1. 1 de abril de 2018 at 13:11

    Poxa vida que site legal esse. Quanto conteudo de qualidade . Abraço e sucesso. Continue sempre assim

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *