INCÊNDIOS OU QUEIMADAS?


(19/08/2010)

Evaristo Eduardo de Miranda

Ficou para trás um inverno bastante seco, marcado pela ocorrência de incêndios e queimadas em todo o país. Mais de 100.000, segundo dados dos satélites. Não se pode confundir incêndio com queimada. A imensa maioria dos focos detectados pelos satélites corresponde a queimadas e não a incêndios.

Incêndio é um fogo indesejável, fora de lugar, de hora e controle, sem ninguém que responda por ele. O incêndio destrói patrimônio público e privado. Queimada é uma tecnologia agrícola. O produtor decide a hora e o lugar de queimar, de forma controlada e desejada. Ele faz isso para renovar pastagens, combater carrapatos, eliminar a palha da cana de açúcar na colheita, diminuir resíduos orgânicos acumulados etc. Nenhum agricultor queima por malvadeza.

A queimada é uma prática do Neolítico, herdada dos indígenas (coivara). Os povoadores europeus a adotaram. Ela está generalizada na agricultura. Ao confundir incêndio com queimadas, muitos continuam projetando imagens míticas dos incêndios da Califórnia, Europa Mediterrânica etc. para o Brasil.

Nas comparações com o ano passado, as queimadas aumentaram em cerca 90%. Não é bem assim. O ano passado choveu muito durante o inverno. Quase não houve queimadas. Quando se compara, a impressão é de um aumento muito grande. Contudo, isso não justifica tantas queimadas. Existem tecnologias agrícolas modernas para substituir o uso do fogo em qualquer sistema de produção agrícola. Falta crédito, orientação e incentivo aos produtores rurais.

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