FLORESTAS:QUEM DESTRUIU, QUEM PRESERVOU?

(17/06/2014)

Evaristo Eduardo de Miranda

De todos ecossistemas terrestres, as florestas estão entre os mais ameaçados. Oceanos podem ser degradados, cerrados queimam, desertos ampliam suas áreas, lagos e rios são contaminados, mas seguem existindo. As florestas simplesmente desaparecem e raramente é possível recuperá-las com características originais.

Com a expansão demográfica e tecnológica dos humanos, os desmatamentos erradicaram mais de 75% das florestas. Restaram menos de 15,5 milhões de quilômetros quadrados de florestas, 24% do total original. As derrubadas não foram uniformes, mas, com exceção de parte das Américas, foram extensivas e ocorreram em todos os continentes.

A Europa, sem a Rússia, detinha mais de 7% das florestas do planeta e hoje tem apenas 0,1%. A África possuía quase 11% e agora 3,4%. A Ásia já deteve quase um quarto das florestas mundiais (23,6%), agora possui 5,5%. No sentido inverso, o Brasil possuía 9,8% das florestas originais do planeta e em dois séculos passou a deter 28,3%! Apesar do desmatamento dos últimos trinta anos, o Brasil é um dos países que mais mantém sua cobertura florestal.

Se o desflorestamento mundial prosseguir, o Brasil – por ser um dos que menos desmatou – deverá deter no futuro quase metade das florestas primárias do Planeta. O paradoxo é que, ao invés de ser reconhecido pelo seu histórico de manutenção da cobertura florestal, o País vem sendo severamente criticado pelos campeões do desmatamento e paulatinamente alijado da própria memória. O Brasil tem grande autoridade para tratar desse tema frente às críticas dos campeões do desmatamento mundial, sem aceitar o lugar de réu que cabe a outros.

 

 

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