AUMENTAM AS QUEIMADAS NA AMAZÔNIA

(17/06/2014)

Evaristo Eduardo de Miranda

No bimestre julho-agosto de 2005, as queimadas aumentaram 18,3% na Amazônia Legal com relação ao mesmo período de 2004. Os dados diários de monitoramento orbital, obtidos pelo sistema NOAA-AVHRR, indicam a existência de situações muito variadas em cada estado da região. Com exceção do Mato Grosso, onde as queimadas apresentaram uma redução de 26,8%, nos demais estados o crescimento foi generalizado.

 

No Pará foram 7500 focos de queimadas detectados a mais com relação a 2004. Um crescimento de 51,7%. Em Rondônia, o aumento também foi significativo: 3003 focos, 70% a mais com relação ao ano passado. No Acre e no Amazonas foram mais de 2000 focos com relação a 2004, em cada estado, um crescimento de 936% e 318% respectivamente (Tabela 1).

 

TABELA 1: Evolução das Queimadas na Amazônia Legal
 
Estados Julho-Agosto/2004 Julho-Agosto/2005

Evolução

      Diferença Porcentagem (%)
Pará 14.507 22.007 7.500 51,7
Mato Grosso 23.740 17.366 -6.374 -26,8
Rondônia 4.276 7.279 3.003 70,2
Tocantins 2.800 3.103 303 10,8
Amazonas 629 2.630 2.001 318,1
Acre 214 2.216 2.002 935,5
Maranhão 1.627 1.944 317 19,5
         
Total 47.793 56.545 8.752 18,31

 

Uma análise espacial da dinâmica das queimadas (Mapa 1) indica que em 75% das localidades (quadrículas de 10 km x 10 km), o número de queimadas manteve-se idêntico a 2004. Esse número diminuiu em 11% do território e aumentou em 13,5% do espaço rural. São cinco pólos principais de expansão de queimadas, muitos associados a frentes pioneiras de desmatamento, principalmente no sul do Amazonas.

 

O primeiro situa-se na fronteira do Acre com o Amazonas, nos municípios amazonenses de Lábrea, Boca do Acre, Envira e Guajará. Destaca-se ainda o aumento das queimadas em Manicoré, Nova Aripuanã e Apuí, ao longo e na região da Transamazônica. Do lado do Acre, os municípios mais afetados são: Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Rodrigues Alves, Feijó, Manuel Urbano, Sena Madureira, Bujari, Porto Acre, Acrelândia e Plácido Castro. As queimadas também aumentaram na parte mais ocidental do estado, em Brasiléia, Cruzeiro do Sul e Porto Walter. Muitas dessas queimadas estão ocorrendo em reservas extrativistas e áreas indígenas.

A segunda concentração de queimadas está localizada em Rondônia, nos municípios de Buritis, Nova Mamoré, Porto Velho, Cujubim, Machadinho d´Oeste e Costa Marques. As concentrações e o aumento das queimadas no Acre, Amazonas e Rondônia corresponde a mais de uma dezena de frentes de desmatamento e de expansão de atividades econômicas de natureza distinta, em geral em áreas pioneiras, e que não podem ser tratadas da mesma forma em termos de políticas públicas.

A terceira grande concentração e expansão das queimadas ocorre Pará, em duas regiões vizinhas: no norte de São Félix do Xingu, Tucumã, Novo Repartimento, Altamira e Marabá, e mais ao sul, nos municípios de Cumaru do Norte, Santa Maria das Barreiras, Bannach, Couto de Magalhães e Santana do Araguaia.

No Mato Grosso, apesar da diminuição global do número de queimadas, localmente as queimadas aumentaram bastante no norte do estado, em municípios como Aripuanã, Cotriguaçú, Apiacás, Nova Bandeirantes, Juara e Novo Mundo. E também no sul do estado, nos municípios de Cáceres, Poconé e Barão de Melgaço. Em que o aumento das queimadas pode estar relacionado com a seca que afeta a região do Pantanal.

A Embrapa Monitoramento por Satélite está realizando uma análise dos diversos vetores econômicos e ambientais que impulsionam e reagem às políticas públicas aplicadas na região pelos estados e governo federal. O prosseguimento do monitoramento deve confirmar ou infirmar essas tendências nos próximos meses.

 

 

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