AGRICULTURA, AMAZÔNIA & SUSTENTABILIDADE

t30

(17/06/2014)Evaristo Eduardo de Miranda

MITOS E FATOS

Mercados, consumidores e sociedades modernas evoluem nas expectativas e exigências com relação a produtos agrícolas e meio ambiente. Após exigir qualidade (ausência de resíduos, pureza, características orgânicas etc.), que interessava diretamente a saúde do consumidor, eles passaram a interessar-se pela certificação dos sistemas de produção (usa mão de obra infantil? é rastreado? é orgânico? usa plantio direto, MIP..?). Agora, o interesse evolui para exigências quanto ao meio ambiente regional nas áreas de produção. Por exemplo, um derivado de soja, de cadeia não transgênica, com sistema de produção orgânico, poderá enfrentar problemas de mercado se for produzido na Amazônia, em área desmatada recentemente.

As acusações e preocupações com o meio ambiente abordam dimensões territoriais como proximidade das lavouras de territórios indígenas e parques nacionais, desmatamentos e queimadas, perda de biodiversidade e outros. Movimentos e diversas ongs atuam nesse campo e junto à opinião pública. A desinformação tem prevalecido. Mitos são propagados sobre a Amazônia, no Brasil e no exterior, apontando a agricultura como um vetor de devastação ambiental, sem sustentabilidade. Os fatos desmentem esses mitos.

O monitoramento do uso das terras, particularmente na Amazônia, pode derrubar vários mitos contra a atividade agrícola, com bases científicas. Sistemas de gestão territorial da agricultura têm sido desenvolvidos pela Embrapa para o setor público e privado: monitoramento orbital de queimadas e desmatamentos, operando há mais de 15 anos na Amazônia; monitoramento da faixa de fronteira instalado no GSI da Presidência da República; zoneamentos ecológico – econômicos etc. Temas como agricultura x floresta; uso das terras x biodiversidade; soja x desmatamento; agricultura x impacto ambiental; logística e ocupação das terras são monitorados na Amazônia.

Informações científicas sobre agricultura sustentável na Amazônia precisam ser articuladas e ampliadas. Lacunas de informação precisam ser preenchidas por sistemas de gestão territorial. Falta articulação em projetos concretos entre a pesquisa e o agronegócio nesse campo. A boa informação deve alcançar fazendeiros, consumidores, indústrias, lideranças, políticas públicas e mídia em geral. Existem oportunidades de inovação na gestão territorial da agricultura para valorizar todo conhecimento acumulado em agricultura tropical no Brasil e reduzir o campo de atuação do obscurantismo.

 
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