A SUSTENTABILIDADE É VERDE

t24

(17/06/2014)

Evaristo Eduardo de Miranda

 

 

O que seria de nós sem a fotossíntese? O que seria de nós sem algas e plantinhas verdes? As algas garantem nosso oxigênio, nos pulmões do planeta que são os oceanos. Os vegetais são os únicos seres vivos capazes de transformar e armazenar parte da energia solar em produtos complexos. Esses compostos (açúcar, proteínas, celulose, gorduras etc.) estocam energia e servem de matéria prima às diversas formas de vida.

Pelas leis da termodinâmica, a energia se degrada (entropia). Toda atividade tem balanço energético negativo, inclusive a agricultura. Como a principal fonte de energia da agricultura é o sol, desconsiderando-se essa fonte, ela tem ganho positivo na maioria dos processos. O cotidiano dos animais e humanos devora, consome, desfruta e degrada matérias primas vegetais: alimentos, pastos, madeira de móveis e casas, borracha dos pneus, lenha em padarias e pizzarias… e petróleo, cujos derivados nos cercam em abundância. Quanto mais um sistema ou modo de vida está construído sobre o verde e a fotossíntese, mais ele é renovável e sustentável… até que se apague o sol.

O caminho da sustentabilidade e da energia renovável passa pela agricultura. A conscientização ambiental, a racionalização de processos produtivos, o consumo consciente e as novas atitudes dos cidadãos ajudam, mas não estão na base das soluções. Ela está no campo e precisa do apoio das cidades. Os tempos de mudanças globais, trazem duas preocupações: como reduzir emissões e como retirar o “excesso” de gás carbônico da atmosfera. As soluções de magnitude estão na agricultura brasileira.

A primeira é a cana de açúcar. Ela retira da atmosfera mais de 50 toneladas de carbono por hectare em sua massa verde. Ela produz etanol, um combustível renovável que substitui a gasolina. Muitas usinas utilizam as caldeiras para gerar energia elétrica. A cana já representa 14,6% da matriz energética brasileira e quase empata com a energia hidrelétrica. A alcoolquímica substituirá no futuro os derivados de petróleo na fabricação de objetos pela indústria alimentar, cosmética, farmacêutica e até na construção civil. E temos quatro séculos de experiência com a cana de açúcar.

A segunda solução está no cultivo de florestas. Cerca de 80% do carvão vegetal e da lenha já vem de reflorestamentos, evitando o desmate. Outros plantios garantem a produção de papel, celulose e madeira. Quem compra livros, amplia bibliotecas ou arquivos, além de informação, armazena carbono. Nas áreas de agricultura moderna está a maior recuperação de matas ciliares e de encostas, retirando silenciosamente muito carbono da atmosfera. Sem falar da recomposição de reservas florestais, até para obter créditos de carbono pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

A terceira contribuição agrícola está na substituição de derivados de petróleo através do Biodiesel, H-Diesel e Diesel Verde com os óleos vegetais.

Com temperaturas mais elevadas, os países de clima temperado vão se interessar cada vez mais pelas tecnologias sustentáveis para agricultura tropical desenvolvidas no Brasil. O caminho da sustentabilidade no Brasil é a intensificação da sua agricultura – aumentando a produtividade sem desmatamentos – e uma melhor gestão territorial, com ciência, consciência e tecnologia.

 

 
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