VIDA ESPIRITUAL


(20/3/2007)

Evaristo Eduardo de Miranda

A vida espiritual é um caminho de singularidade. Ela nasce quando a pessoa está disponível para ouvir as exigências que brotam em si. E às quais, ela corresponde com fidelidade. Essas exigências pessoais interiores podem até ser provocadas do exterior e da mesma forma para todos. Mas, cada vez que eu respondo e correspondo a elas, eu me singularizo com relação aos outros. A forma como eu correspondo não necessita, nem pode ser conhecida pelos outros. Eles não podem conhecer essa minha realidade em profundidade, mesmo se eles conhecem a materialidade das minhas respostas. A compreensão dos outros da vida espiritual dos outros, vai depender da realidade do que eles são, eles mesmos.

Na medida em que ao longo da vida estamos atentos e respondendo com fidelidade a essas exigências que brotam em nós, aumenta o nosso entendimento interior. Em algum momento, atentos nesse caminho de vida espiritual, detectamos exigências que brotam em nós, estão em nós, mas que não vêm de nós. Mistério. As vezes, inclusive, são exigências interiores que vão contra toda a nossa lógica pessoal e razão. Algo nos diz de ir a algum lugar, ao encontro de alguém ou de algum projeto e isso para nós seria a última coisa que faríamos. Algo nos impulsiona para viver algo que seria a última opção a viver por livre e expontânea vontade, inicial.

Podemos recusar. E não dar ouvidos a essas exigências. Não acontece nada. Podemos aceitar. Dizer sim. Sem razões, nem explicações. Sem um entendimento preliminar mais profundo. Dizemos sim, apostando, pela fé. Contra as evidências, pela intuição e pelo mistério desse chamado interior, que está em nós, mas não vêm de nós. E nos singulariza. E ao qual, como Maria, frente ao Anúncio, dizemos: sim.

Publicado em:

MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Vida Espiritual. A Tribuna, Campinas – SP, v. 96, p. 7, 2005.

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