VER O INVISÍVEL


(25/4/2010)

Evaristo Eduardo de Miranda

O tema da cegueira foi bastante central na missão de Jesus. Entre as curas de Jesus, as mais relevantes devolveram a visão aos cegos. Na tradição judaica, abrir os olhos era a cura messiânica por excelência, o sinal para a identificação do verdadeiro messias, segundo a tradição profética. Ao apresentar-se na sinagoga de Nazaré, Jesus declara que fora ungido – precisamente – para abrir os olhos aos cegos.

Os evangelhos relatam, dentre todos os cegos curados por Jesus, sete deles. O número sete evoca a totalidade, um Cristo que vem abrir os olhos de todos para que vejam o Invisível. Jesus curou os dois cegos de Jericó (Mt 20,29-34; Lc 18,35-43), o filho de Timai (Mc 10, 46-52), o cego de Betsaida (Mc 8,22-26), os dois cegos anônimos (Mt 9,27-31) e o cego de nascimento (Jo 9,1-41). Se o sinal dessa cura favorece o beneficiário, a quem mais favorece é ao próprio Jesus, já que prova que ele é o Messias anunciado pelas escrituras.

Paradoxalmente, Jesus, a luz do mundo, traz trevas para os que lhe dão as costas. O Messias é uma espada de gumes que cega os que têm boa vista e faz ver os cegos. “Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que aqueles que não viam vejam, e aqueles que viam se tornem cegos” (Jo 9,39). De certa forma, nós também.

O olhar compassivo faz viver. Nosso olhar é a prova que o outro necessita para ter a demonstração de que continua vivo. Nosso olhar é talvez o único evangelho que o outro vê. Desviar o olhar pode indicar condenação e abandono. Ao mesmo tempo, fechar os olhar para buscar a visão interior evoca a contemplação e o silêncio. Fechamos os olhos para enxergar outra Realidade. Nossa visão interior de Deus é um provar da vida que vibra em nós. Vai além da materialidade do corpo e do mundo. E os resgata numa dimensão de iluminação infinita.

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