UM REBENTO SE TORNA FILHO


(27/11/2005)

Evaristo Eduardo de Miranda

Leitura da parábola do pai misericordioso e do filho pródigo

(Lucas 15, 11-32 e cf. Mateus 21, 33-46)

Um homem (anthropos) tem dois rebentos (teknon).

Rebento não é próprio da espécie humana.

O humano tinha duas criaturas produzidas, como Adão com Caim e Abel.

Não há pai, filho ou irmãos.

As palavras pai, filho (e irmãos) não apareceram para qualificar os personagens.

O mais novo chama o pai de pai.

Mas o texto não o trata de filho.

O pai é evocado

O mais novo evoca o pai, muitas vezes e repete:

Não merece ser chamado teu filho.

O filho é evocado

“Este meu filho (que aqui está) estava morto e voltou à vida.”

Tornar-se filho. Deixou de ser rebento.

O primogênito (o outro que ali sempre esteve e dali nunca saiu)

O que é isso?

O irmão é evocado

Um dos rapazes (servos) lhe diz:

Teu irmão chegou.

E esse filho (teu) que aí está de volta.

Reconhecer o irmão

Porque esse teu irmão que aí está.

Onde está o nosso irmão?

Dificuldade em ver o outro.

Principalmente quando é diferente ou deficiente.

Não olhe.

O deficiente = diferente.

Campanha da Fraternidade quase não viu.

A comunidade do Divino Salvador viu.

Na educação quase não há lugar para ele.

A sociedade brasileira está vivendo o desafio da inclusão.

Compreender, fazer parte, figurar entre outros, pertencer juntamente com outro.

Pôr ou fazer pôr o seu próprio nome, a sua pessoa, numa lista, série, enumeração. Estar incluído, estar compreendido.

Antes. Criar estruturas especiais.

Visão fragmentada do corpo social

Sociedade gera mecanismos diferenciados para minorias em função de cor, origem, sexualidade, deficiências etc.

Obstáculos = indivíduo entra no sistema educativo pela sua deficiência (escola para surdos, para cegos, para deficientes mentais etc).

Inclusão = entrada na educação pelo indivíduo, pessoa e não pelo seu handicap.

Opõe-se à tendência de um desenvolvimento das estruturas especializadas.

Elas acabam por fechar a pessoa no universo da sua deficiência

Não vive-se juntos, nesse tipo de sociedade, mas ao lado.

O campo social fica despedaçado e a segregação impera.

O deficiente dá muito ao meio social.

Sua presença no meio escolar enriquece a humanidade das crianças.

O convívio com a diferença mental e física enriquece, em cada um, a idéia da comunidade humana.

Eles não serão chocados, nem reagirão negativamente em suas vidas futuras, face ao diferente, ao estrangeiro etc.

A origem, a cor, a etnia, a deficiência não serão critérios de discriminação. Sobretudo porque, o que é problema para os adultos nessa matéria, em geral não o é para as crianças. Exemplo da Ativa. Do Rio. Da Inglaterra

CONCLUSÃO

De alguma forma todos somos e seremos deficientes.

1 Samuel 16.

A Igreja sabe das riquezas únicas que trazem os deficientes e de seu destino transcendente.

A qualidade de uma sociedade ou de uma civilização se mede pelo respeito que ela manifesta com relação aos mais pequeninos. João Paulo II

Não se trata de exigência ética, mas do convite de acolher plenamente as pessoas deficientes na sociedade e na Igreja (Catequese).

História. Deus me ama como eu sou.

A primeira vez que Moisés encontra Deus deve retirar as sandálias.

Nesta parábola é o pai quem calça o filho.

Retira tuas sandálias

O lugar onde estás é santo.

Sandália, hebráico Naal: fechar com fechadura, cerrar, encerrar, apertar (sapatos apertados), enclausurar, limitar, prender, resumir.

Em casa a primeira coisa que eu faço e retirar os sapatos.

Retirar as sandálias é retirar o que encerra, o que prende os pés

O nosso lugar é santo.

Publicado em:

MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Um Rebento se torna filho. A Tribuna, Campinas – SP, v. 98, p. 13, 2007.

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