TRABALHAR NOS CÉUS


(23/4/2006)

Evaristo Eduardo de Miranda

Cerca de dois meses antes de morrer, na fase final da tuberculose, Santa Teresinha do Menino Jesus pronunciou uma oração muito especial. Ela disse a Jesus que aqui no mundo havia realizado todos os seus desejos e vontades. Agora, lá no céu, era Ele quem iria realizar os seus. E o seu desejo era o de passar o seu Céu, fazendo o bem sobre o Terra. Ela concluiu a oração dizendo: “Eu não vou para o céu para descansar. Eu vou para trabalhar”. E trabalho não tem faltado para essa santinha, proclamada doutora da Igreja.

Esse diálogo com Jesus e um século de graças e milagres atribuídos a Santa Teresinha ilustram o quanto essa carmelita desejava servir ao próximo. Contudo, o alcance dessa oração é muito maior. E acaba de ser explicitado, por Bento XVI, em sua encíclica sobre o amor cristão “Deus caritas est”.

A encíclica pode ser comprada por dois reais e está de graça na Internet. Todos deveriam ler. Ela fala do amor com que Deus, misteriosa e gratuitamente, nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por nós. Trata da unidade do amor ascendente, eros, e do descendente, agape. E aborda a caridade e o mandamento do amor ao próximo, como resposta humana ao amor divino, muito além de uma questão de justiça, individual ou social.

O amor é possível e nós somos capazes de o praticar, porque fomos criados à imagem de Deus. E, pelo amor, nos tornarmos sua semelhança. Na conclusão da encíclica, o papa Bento vai mais longe. Nem todos alcançam e alguns sequer acreditam no que ele diz: “À vida dos santos não pertence somente a sua biografia terrena, mas também o seu viver e agir em Deus depois da morte. Nos santos, torna-se óbvio como quem caminha para Deus não se afastará dos seres humanos, antes, ao contrário, torna-se-lhes verdadeiramente vizinho.” E a cada um, Deus convida a esta ventura eterna.

Publicado em:

MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Trabalhar nos céus. Jornal Universidade, Curitiba – PR, v. 7, p. 2, 2006.

MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Trabalhar nos céus. A Tribuna, Campinas – SP, v. 97, p. 11, 2006.

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