REUNIDOS EM MEU NOME


(14/6/2001)

Evaristo Eduardo de Miranda

Este folheto fala da presença de Jesus Cristo no meio de nós e da Criação. Sinal de esperança, ele foi feito especialmente para você. Não importa se você participou diretamente do 14º Congresso Eucarístico Nacional, em Campinas, ou se agora o recebe graças a um irmão ou irmã.

Durante sua vida, muitas vezes, Jesus disse aos seus discípulos: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, lá estarei no meio deles” (Mt 18,20). O que implica a expressão “em meu nome”? Basta fazer o sinal da cruz ou dizer “no nome de Jesus”, para que Ele esteja no meio de duas ou três pessoas? Não é verdade. Estar no nome de Jesus, não é algo para ser dito da boca para fora.

Estar no Seu nome tem um alcance espiritual preciso e profundo. Está no nome de Jesus, o cristão que já caminhou bastante em sua estrada espiritual, como um verdadeiro discípulo. Não é o caso de quem somente freqüentou igrejas ou estudou doutrinas. Está no “Seu nome” aquele que, no caminho do Senhor, descobre, manifesta e amadurece a presença do seu Reino, numa compreensão inteligente de sua própria vida, em comunhão e solidariedade com os irmãos e a natureza. Quando dois ou três- com essa experiência de vida – se reúnem, Jesus está no meio deles. E eles o fazem em Sua memória.

Foi o que aconteceu em Campinas durante o Congresso Eucarístico. Milhares de cristãos reviveram as palavras de Jesus e deram graças, reunidos em Seu nome. Ao retornar aos estados e cidades, paróquias e comunidades de base, movimentos e pastorais, cultivaremos melhor a qualidade dessa comunhão espiritual. Seremos como fermento: dois ou três, perdidos na massa, em trabalho de aprofundamento pessoal. Os cristãos não devem somente reunir-se por solidariedade diante do mesmo destino ou dos desafios na defesa da vida humana e da natureza, mas também para unir-se “em Seu nome”, em torno de Sua lembrança.

Eucaristia não é um rito mágico que precipita Jesus sobre a Terra. Não se trata de uma presença que se possa ter à mão, manter à nossa disposição numa caixinha ou colocar no bolso. Se fosse assim, nós a reduziríamos a um ídolo. A presença real não é presença local, fisicamente acessível, mas sacramental. Como dizia São Tomás de Aquino, a comunhão é um encontro entre duas presenças e uma abertura para toda a humanidade. É em comunhão, uns com os outros e com a natureza, que nós comungamos com Ele. Participar da eucaristia é aceitar as exigências evangélicas, sentir-se responsável pela construção de um mundo de irmãos, preservando a Vida e toda a Criação.

Juntos, na celebração eucarística, como por um sobressalto vital, vamos guardar sempre o frescor e a força da presença de Jesus no meio de nós. Assim, como Igreja, seremos transformados, levados acima de nós mesmos, como os discípulos haviam sido junto de seu mestre, em comunhão com todos os irmãos e todos os seres da Mãe Terra.

Eu estarei no meio de vocês! Por essa promessa, Jesus assegurou a seus discípulos, que fazendo isso em sua memória, eles reencontrariam o contato com o Absoluto. Eles renovariam sua fé. Esse contato direto e íntimo, eles haviam conhecido junto de Jesus. Nas horas benditas em que Ele estava, não somente diante deles, mas neles. Quando a Sua palavra, diretamente saída dele mesmo, os penetrava, transformava, preenchia e fazia ser. A tradição, na Igreja católica, significa: atualizar no presente o que recebemos no passado. Além dos primeiros discípulos, o mesmo chamado e a mesma promessa, dirige-se a todos aqueles que os sucederam na fé. Como você, amigo e amiga, que agora este folheto. Venha sempre, para a ceia do Senhor!

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