RELICÁRIO


(21/11/2001)

Evaristo Eduardo de Miranda

Uma carta escrita no ano 160, um autor cristão, descreve a morte do bispo Policarpo de Smirna. Após relatar as respostas de São Policarpo, a um proconsul romano, a carta descreve seu martírio, sua morte na fogueira e conclui: “Mais tarde nós pudemos recolher seus ossos, mais preciosos do que pedras preciosas de grande preço e mais preciosos do que o ouro, para depositá-los num lugar conveniente. É lá, sempre que possível, que o Senhor nos dá de nos reunirmos na alegria e no regozijo, para celebrar o aniversário de seu martírio, de seu nascimento, em memória dos que combateram antes de nós, e para exercer e preparar aqueles que devem combater no futuro”.

Venerar relíquias dos entes queridos falecidos é uma forma especial de sentir-se perto, ao lado, de sua realidade material, que o sopro divino levantou do pó. Longe de qualquer sentimento de necrofilia, as relíquias evocam a vida eterna, a vida em plenitude, uma pequena via para chegarmos a Deus. O Relicário da Ressurreição é uma oportunidade para todos homens de boa vontade aproximarem-se da materialidade de vidas cristãs dedicadas à Transcendência.

Pela veneração das relíquias de seus entes queridos, todos estão convidados ao encontro com o divino, com o extra-ordinário, com os sinais visíveis do Invisível, com a permanência do passageiro, com a perspectiva da vida em abundância. Um pouco de silêncio e oração, ao lado das relíquias, trará ao mistério de cada um, uma eternidade de harmonia.

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