PERDOAR VIVOS E MORTOS


(30/9/2004)

Evaristo Eduardo de Miranda

Na hora da morte, quando a pessoa se vê diante de Deus e de sua glória, a primeira palavra de cada um é: perdão. A pessoa pede perdão a Deus pelo que foi, pelo que fez de errado e pelo que não fez de bom. Na hora da morte, ninguém se apresenta diante de Deus cobrando direitos ou recompensas. Ninguém é perfeito. Todos necessitam de Sua misericórdia. Uns mais, outros menos. Segundo a tradição cristã, na hora da morte, diante de Deus, para cada um que pede ou implora seu perdão, Deus responde: “- E você? Perdoa os outros?”.

E a pessoa perdoa. Iluminados por Deus, diante do Pai de misericórdia, na hora da morte todos são convidados ao perdão e a receber o perdão. Ninguém caminha para a eternidade levando remorsos, mágoas, desejos de vingança, ressentimentos, pequenos ou grandes ódios. Diante da imensidão do amor de Deus e do Reino dos Céus, tudo que possa haver acontecido nesta vida são detalhes, coisas muito pequenas. Na hora da morte, a pessoa é convidada a abrir-se ao amor e à graça e, ajudada por Deus, a perdoar tudo e todos. Jesus disse: “Se perdoardes aos homens as suas faltas, vosso Pai celeste também vos perdoará (Mt 6,12).

No dia de Finados, ao visitar as sepulturas e as relíquias de nossos entes queridos, agradecemos a Deus seu imenso amor. Ele enviou o seu próprio Filho para nos salvar. Seu desejo não é a morte da humanidade, mas que todos tenham a vida eterna. “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,17). Nossos falecidos participam da morte e da ressurreição do Cristo e de todos os benefícios de seu infinito amor. Como filhos pródigos, os falecidos retornaram à casa do Pai.

Deus perdoa nossos entes queridos falecidos. Nós também devemos perdoar os irmãos, vivos ou falecidos. O Papa João Paulo II ensina: só o perdão pode sarar as feridas do coração. O apóstolo Pedro, o primeiro Papa da Igreja, perguntou a Jesus: “Senhor, quando o meu irmão cometer uma falta a meu respeito, quando vezes lhe hei de perdoar? Até sete vezes?” E Jesus lhe disse: “Eu não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes” (Mt 18,21-22). Durante o martírio da paixão, crucificado entre dois malfeitores, o mesmo Jesus disse: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Junto à sepultura de uma pessoa querida ou aí mesmo onde ler ou receber este folheto, reze um Pai Nosso, a oração que Jesus nos ensinou. Medite sobre o perdão que deve dar aos seus irmãos. Deus nos ajuda a perdoar sempre, substituindo remorso por perdão, ódio por amor, estendendo nosso coração e caridade até os nossos inimigos (Mt 5,44).

Quem perdoa os vivos e os falecidos, também deve ser capaz de perdoar a si mesmo. Aceitar suas fraquezas e limites. Tenha carinho, compaixão e ternura para com você mesmo. Ouça a voz do seu coração e viva em paz consigo mesmo. Antes de dormir, pense em Deus, pense em sua vida e perdoe você mesmo pelos seus erros, assumindo o compromisso de seguir o caminho reto dos filhos de Deus.

No dia de Finados, alguns culpam Deus pela enfermidade, pelo acidente ou pela violência que ceifou a vida de uma pessoa amada. Se você pensa assim, abra-se ao perdão e confie Deus. Em tudo Ele somente deseja o nosso bem. Ele lhe dará mais entendimento, consolação e vai curar suas feridas.

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