O VALOR DE UMA RELÍQUIA


(13/4/1998)

Evaristo Eduardo de Miranda

Um relógio do ex-presidente Kennedy foi leiloado por 700.000 dólares. Um vestido, que Lady Diana usou uma única noite, foi a leilão por quase 200.000 dólares! Outros objetos da ex-princesa de Galles têm um valor sagrado, para quem os possui Tem sido assim com gente famosa e artistas falecidos, como Elvis Presley, John Lennon e tantos outros. Após a morte dos Mamonas, quanta gente não enfrentou uma arriscada caminhada pela mata, para obter uma lembrança do grupo. Pessoas emocionadas apresentavam ao regressar – como troféus – pedaços de vestimentas ou objetos que, supostamente, haviam pertencido aos membros do grupo. Após a morte de Daniel, cantor da dupla João Paulo & Daniel, os fãs precipitaram-se no local do acidente, na rodovia dos Bandeirantes, em busca de algum resto ou lembrança. A imprudência de alguns causou até mortes e atropelamentos!

Esse desejo dos fãs ou seguidores de possuírem algum objeto que pertenceu, foi usado ou tocado pelo seu líder é muito antigo. Sobre relíquias e despojos, o Cristianismo possui referências muito antigas. A tradição sempre afirmou que a basílica do Vaticano havia sido construída sobre o túmulo de São Pedro. Clemente, bispo de Roma no final do primeiro século, já falava do martírio de Pedro no circo de Calígula e Nero, na colina do Vaticano, e de como o apóstolo fora enterrado numa necrópole vizinha. Os resultados das escavações arqueológicas sob a basílica do Vaticano, autorizadas por Pio XII, de 1939 a 1950, confirmaram os textos antigos: a necrópole do Vaticano está estabelecida num lugar fundador do Cristianismo. Eusébio de Cesaréia, no século II, escreveu sobre a veneração dos cristãos aos despojos de Pedro: “Discutindo por escrito contra Proculus, ele (Gaius) disse, a propósito desses lugares onde foram depositados os despojos sagrados dos ditos apóstolos (Pedro e Paulo), as seguintes palavras: Para mim eu posso mostrar os troféus dos apóstolos. Se você quiser ir ao Vaticano ou sobre a via de Ostia, encontrará os troféus daqueles que fundaram essa Igreja””.

Uma carta escrita por volta do ano 160, por autor desconhecido, relata a morte do bispo Policarpo de Smirna que chegou a conhecer o apóstolo João. Após relatar as respostas de Policarpo, diante de um proconsul romano que insistia para que ele maldissesse o Cristo, a carta descreve seu martírio, sua morte na fogueira e conclui com as seguintes palavras: “Mais tarde nós pudemos recolher seus ossos, mais preciosos do que pedras preciosas de grande preço e mais preciosos do que o ouro, para depositá-los num lugar conveniente. É lá, sempre que possível, que o Senhor nos dá de nos reunirmos na alegria e no regozijo, para celebrar o aniversário de seu martírio, de seu nascimento, em memória dos que combateram antes de nós, e para exercer e preparar aqueles que devem combater no futuro”.

Relíquias têm muitos significados, simbólicos e espirituais, para quem as possui e venera. Elas representam um elemento tocado, habitado, manipulado ou a própria matéria daquele que é venerado pelo exemplo. Talvez, de todas relíquias do tesouro da Igreja, a do santo sudário de Turim seja a mais preciosa. Essa relíquia de sutil textura impressiona pela quantidade de informação que contém. É uma espécie de CD da morte de um crucificado e que de forma misteriosa abandonou seus lençóis mortuários. Há muito o que meditar sobre paixão e a morte daquele corpo humano, ouvido no seu sofrimento – pela última vez – por uma retalho de pano. Teria o artesão têxtil, o tear ou a tecelã – que produziram esse predestinado tecido texto – imaginado quantos sinais ali seriam escritos? ‘Se é verdade que os cristãos podem refletir sobre a paixão e a morte do crucificado, o mistério dos lençóis afrouxados dos evangelhos aponta para um outro, infinitamente maior, o da ressurreição.

A Loyola Multimídia está colocando à disposição dos cristãos e homens de boa fé, um belíssimo vídeo sobre o sudário de Turim. Ele reúne imagens inéditas, relatos, resultados de pesquisas recentes e comentários de especialistas que deslocaram-se até Turim. Todos são convocados, através desse vídeo, a um encontro com o divino, o extra-ordinário, os sinais visíveis do Invisível, a permanência do passageiro, a perspectiva da vida eterna e em abundância Se a veste de um artista pop vale milhares de dólares, qual não seria o valor do sudário, esse quinto evangelho, nos dizeres do Papa Pio XII? Esse valor está depositado no cofre do coração de cada um. Um minuto de silêncio e oração, diante dessa relíquia, dessa obra rara, trará ao mistério de cada pessoa, uma eternidade de harmonia.

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