O TEMPO DA QUARESMA

(8/2/2007)

 

Evaristo Eduardo de Miranda

 

Quaresma é um tempo forte de conversão, jejum, esmola e oração. É um tempo de preparação para a Páscoa e dura cinco semanas. Neste período não se diz o “Aleluia”, nem se colocam flores na Igreja, não devem ser usados muitos instrumentos e não se canta o Hino de Louvor (Glória). É um tempo penitência, onde busca-se a misericórdia de Deus, e não um momento de louvor. A Quaresma inicia-se na quarta-feira de Cinzas, vai até a Missa da Ceia do Senhor, onde Jesus instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio e deu um exemplo maravilhoso de humildade ao lavar os pés dos discípulos.

Em 1091, o cálculo da data do início da Quaresma foi definitivamente estabelecido pela Igreja Católica. Como conseqüência indireta, o período de Carnaval também estabeleceu-se na sociedade ocidental.

O tema da Campanha da Fraternidade 2007 é a Amazônia. Um dos maiores desafios para a presença da Igreja na região e a evangelização, é o de superar os mitos, frutos da falta de informação, da manipulação ideológica e da ignorância. A Quaresma é uma oportunidade para se buscar os fatos, refletir à luz do Evangelho sobre processos em curso na Amazônia e sua complexidade, com racionalidade. Em livro recente expus elementos sobre a história da Amazônia e muitos de seus mitos. A contribuição da Igreja foi e é enorme na região.

Para o padre Antonio Vieira, a Quaresma “é o tempo em que principalmente se semeia a palavra de Deus na Igreja, e em que ela se arma contra os vícios. Preguemos e armemo-nos todos contra os pecados, contra as soberbas, contra os ódios, contra as ambições, contra as invejas, contra as cobiças, contra as sensualidades. Veja o Céu que ainda tem na terra quem se põe da sua parte. Saiba o Inferno que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a palavra de Deus, e saiba a mesma terra que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto: Et fecit fructum centuplum.” (Sermão da Sexagésima).

 

 

Publicado em:

MIRANDA, Evaristo Eduardo de. O tempo da Quaresma. A Tribuna, Campinas – SP, v. 98, p. 13, 2007.

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