O SINAL DA CRUZ


(5/8/2007)

Evaristo Eduardo de Miranda

O time de futebol entra em campo. Muitos jogadores tocam no gramado e fazem o sinal da cruz. Ao fazer um gol, eles fazem o sinal da cruz. Ao deixar o campo também. Esse gesto, tão comum dos católicos nos mais diversos contextos e nos ritos da Igreja, é sinal, signo e símbolo. O sinal da cruz resume e representa o signo de Cristo, o da vitória contra tudo que ofende, divide e oprime: a vitória sobre a morte. Com a mão direita, no sentido vertical, toca-se a testa (Em nome do Pai), o peito (do Filho) e encerra-se com uma linha horizontal entre os ombros (e do Espírito Santo). Esse movimento em cruz é marca registrada dos católicos.

A vida sacramental do católico começa com o sinal da cruz no dia do batismo. Com o sinal da cruz, os batizandos são logo sinalizados na testa, antes do seu batismo, como uma primícia do sacramento a ser recebido. Essa marca de acolhida tem um caráter indelével, não pode ser apagada. Os católicos são marcados por essa característica transmitida, por este sinal de Deus (Dominicus character). Ele é traçado com a mão, com óleo, com cinzas, com água benta… E até com pólen no batismo de índios na Amazônia. No rito do funeral dos defuntos, o sinal da cruz marca a despedida do fiel católico no seio da Igreja terrestre e sua passagem à Igreja celeste, transcendental, especialmente quando o corpo é abençoado com o sinal da cruz e a água benta, a mesma utilizada no batismo. Essa água acolhe e despede.

Na cruz, as realidades materiais e horizontais deste mundo, unem-se de forma equilibrada com as realidades espirituais e verticais. O sinal da cruz é um sinal de harmonização e união. Os católicos veem a origem bíblica dessa marca na circuncisão, na páscoa judaica e em referências proféticas no Antigo Testamento sobre o sinal da cruz, como nos oráculos do profeta Ezequiel (Ez 9,3-4). Esse sinal integrador é característico. Ele mostra e dá caráter aos católicos. No império romano, caráter era o nome dado ao ferro de marcar o gado, com o sinal indelével de seu proprietário. O sinal da cruz é uma marca de caráter.

Os católicos dizem batizar seus filhos, para a criança ter um bom caráter. É disso que se trata: receber essa marca indelével (character) da cruz. Isso significa separar-se do filho, reconhecê-lo como outra pessoa que só pertence a Deus. O sinal da cruz resume e une: o visível ao invisível, o material ao imaterial, o conhecido ao desconhecido, a razão à intuição, o consciente ao inconsciente, o imanente ao transcendente, a marca e o marcado. Tertuliano, o primeiro escritor cristão de língua latina, já dizia: “Para todas as nossas ações, quando entramos ou saímos, quando nos vestimos ou tomamos banho, estando à mesa ou acendendo as velas, quando vamos dormir ou nos sentar, no início de nossas obras, façamos o sinal da cruz”. E ainda, “Nós, cristãos desgastaremos nossas testas com o sinal da cruz”.

O sinal da cruz dá identidade e identifica o católico. Ele é feito “Em nome”. No “Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, os católicos evocam, invocam e convocam seu Criador. Jesus chama cada ovelha pelo nome (Jo 10,3), marcadas por seu sinal, o da cruz. E os batizados têm seu nome inscrito nos céus (Lc 10,20), no Livro da Vida. Fazem o sinal da cruz tanto ao passar diante de uma igreja, como ao marcar um gol. É isso aí. Pode assinar em cruz.

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