O DIA DO VERDADEIRO NASCIMENTO


(20/8/2011)

Evaristo Eduardo de Miranda

Hoje é dia de lembrança. Neste feriado de Finados, você não se esqueceu das pessoas falecidas. Você as amou e elas te amavam. Talvez já se passaram muitos anos desde o falecimento do pai, da avó, da mãe, de um filho ou de um amigo.

Aqui você celebrará a esperança de um reencontro, entre todos os que se amaram, na casa do Pai. A limpeza dos túmulos, as flores depositadas, a participação nas celebrações eucarísticas, as orações nas sepulturas e a simples visita são expressões da fé na ressurreição, o novo nascimento.

Você não se esqueceu e veio até este cemitério. Imagine se Deus poderia se esquecer. Ele lembra e cuida de cada um de nós. Mesmo aqueles que jazem em túmulos abandonados, sem receber a visita e o cuidado de alguém, e cujos nomes não figuram em nenhuma inscrição, placa ou lápide.

Diz o mundo: morreu acabou. Essa não é a fé dos cristãos. A morte é uma passagem para a casa do Pai. A morte é nossa Páscoa para um novo nascimento. No primeiro nascimento, o natural, nascemos fortes ou fracos, sadios ou enfermos, pobres ou ricos, acolhidos ou abandonados, com família ou sem família. Ninguém pode fazer nada pelo seu próprio nascimento. São as circunstancias deste mundo e desta vida.

Para todos que estão enterrados neste cemitério ou que os visitam neste dia de Finados está reservado um segundo nascimento, no dia da ressurreição dos mortos. Assim como houve um nascimento natural, haverá um nascimento sobrenatural, o dia do verdadeiro nascimento.

No dia da ressurreição, muita gente bem nascida neste mundo talvez se veja mal ressuscitada na Eternidade. Entre o nascimento natural e o sobrenatural há uma grande diferença. No nascimento natural, cada um nasce como nasce. No nascimento sobrenatural, cada um ressuscitará como viveu! Ninguém decide como nascer, mas pode definir como renascerá e ressuscitará. Isso é mais do que uma consolação para quem não alcançou a fortuna dos altos e felizes nascimentos neste mundo.

Somos iguais perante a morte, mas seremos diferentes, por nossas vidas, no dia da ressurreição. Esse segundo nascimento, também depende de nós, de nossas decisões, de nossa conversão pela graça de Deus. Ele começa no batismo. Ao longo desta vida somos engendrados por nós mesmos, pela família e pela comunidade e pela Igreja, corpo de Cristo neste mundo, para o verdadeiro e definitivo nascimento na vida eterna.

Se dependesse apenas de cada um de nós, ninguém de salvaria. Fomos salvos por Cristo que morreu e ressuscitou por cada um dos presentes hoje neste cemitério, vivos ou falecidos. A morte é como um parto para esse novo nascimento. A Igreja festeja seus santos no dia de sua morte por considerar este dia, o dia do verdadeiro nascimento (vero dies natalis).

Para Santo Agostinho, quando Deus coroa nossos méritos, Ele coroa seus próprios dons. Toda resposta aos desafios desta vida é ao mesmo tempo obra da graça de Deus e da liberdade suscitada pela graça no homem. Mas quem te criou sem você, não te salvará sem você. O único fato exclusivo do homem é a recusa da graça de Deus.

Você tem a liberdade da fé e da obediência (LG 56). Seja um cooperador de Deus (1Co 3,8) na construção do Reino, da Igreja e da Jerusalém celeste. Trabalhe porque Deus produz em nós o querer e o fazer (Fl 2,12-13). E assim você renascerá a cada manhã, pelo Espírito, até o dia do seu verdadeiro e definitivo nascimento.

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