MILAGRES


(27/2/1995)

Evaristo Eduardo de Miranda

Milagre fruto da transgressão

Paralítico pelo teto

Mulher com fluxos de sangue

Bartimeu

Os cães tem direito as migalhas

Existe uma idéia de que os milagres, e sua crença, representam um pensamento e um comportamento religioso arcaico e primitivo. Na realidade a crença nos milagres é uma conquista bastante tardia da humanidade e marca, como já sinalizava Auguste Comte, um nítido progresso da razão.

De fato o milagre é um fenômeno que não pode ser compreendido no âmbito das leis da natureza, o que leva a supor uma causalidade sobrenatural. Ora segundo o antropólogo J.P. Albert, essa distinção entre a natureza – concebida como um conjunto de realidades estritamente submetidas às leis do determinismo – e um mundo que a ultrapassa não tem nada de evidente, nem de primitivo. São muitas as populações que ignoram essas diferenças e vêm em cada evento o concurso de potencias indistintamente divinas e naturais.

Essas culturas ignoram o que a teologia cristã chama de “causas secundárias”, ou seja o funcionamento autônomo do mundo real, regido por leis necessárias. Mas ao contrário dos materialistas, os teólogos cristãs afirmam que a natureza continua aberta as intervenções, raras e pontuais, do seu Criador. Nesse sentido, acreditar nos milagres não significa negar a existência das leis da natureza ou recusar à ciência a capacidade de penetrá-las.

Assim o cristianismo, alimentado pela herança filosófica e científica dos Gregos, adotou uma posição muito sólida. Apoiando a descoberta das leis da natureza, o cristianismo entende que as ciências não negam a possibilidade dos milagres. Pelo contrário elas podem reforçar o crédito dos mais autênticos, distinguindo-os dos falsos prodígios.

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