MENSAGEM DE NATAL


(27/11/2001)

Evaristo Eduardo de Miranda

Porque os adultos, dos magos sábios aos simples pastores, foram curvar-se diante de uma criança em Belém? É porque a explicação do nosso verdadeiro destino está em nossa origem. Adélia Prado, em uma de suas poesias, pede a Deus a cura de ser grande. “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande…” Como ela, todos podem ouvir e viver esse desejo profundo, tão explícito no período de Natal: acriançar nossos gestos e palavras, acriançar a vida e voltar à origem. Como os peixes que sobem os rios durante a piracema. Eles voltam atrás, buscam as águas cristalinas do nascimento, da geração. A vida adulta lhes ensinou o caminho rumo ao mar, rio abaixo… Foram ficando cegos de tanto ver passar paisagens, portos, pessoas, aventuras e desventuras. Um dia, para viver verdadeiramente, eles sabem que é necessário voltar às origens, ao princípio, ao começo. No princípio era o Verbo.

A sabedoria na idade adulta – e ainda mais na velhice -, consiste em abrir de novo os olhos, abandonar a cegueira da experiência e retornar às origens, aos horizontes da infância. Ao ponto de partida. A criança adormecida dentro de nós pode acordar e nos despertar. Com sua inteligência leve e suave, e não pesada ou racional como a dos adultos. A criança em nós é um chamado de elevação e ascensão. A ideia de um Deus adulto, velho, cansado, e até rabugento, desaparece diante do Deus menino. Diante do Menino na manjedoura, os adultos calam-se e encontram-se com o Silêncio. Na hora da morte, quando tudo silenciará, um Deus menino, sorrindo, nos acolherá. Ele nos tomará pelas mãos e nos convidará ao seu reinado de brincadeiras e sonhos. Mas esse paraíso já começa agora, no Sopro do Ad-Vento, Ad-Ruach, como nas palavras do profeta “… e uma criança pequena os guiará” (Is 11).

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