MARIA – VIRGEM SEMPRE VIRGEM


(3/6/2001)

Evaristo Eduardo de Miranda

Virgindade de Maria. Fé universal dos cristãos. Verdade revelada (Lc 1,34-35). Era desconhecida do público (Lc 3,23). Foi proclamada na Igreja primitiva e nas profissões de fé. Virgem Maria. Um fato sobrenatural, em Lucas e Mateus (1,18).

A concepção virginal não é o fundamento da divindade de Cristo mas somente o seu sinal revelador. Não é fruto da união mitológica de um deus com uma mulher, mas atesta: em Jesus a própria pessoa do Filho eterno de Deus se encarnou humanamente em Maria. A tradição judaica não espera uma concepção virginal do Messias. Fábula do filho adulterino sobre Jesus.

Todas as mães são virgens e todas as crianças filhas de Deus. Razões de ordens.

Ordem pedagógica: nova criação e não nova geração. Deus não é pai biológico de Jesus. Se fosse José, Jesus não se revelaria como filho único.

Ordem ontológica: Cristo como Verbo divino encarnado. Fruto da relação de duas pessoas humanas é uma pessoa humana. Rapto celeste de S. Tomás.

Maria acolhe uma pessoa divina pré-existente como dom gratuito do amor de Deus, não como fruto de uma vontade humana, um dom humano (Jo 1,12-13).

Possibilidade de encarnação sem concepção virginal segue discutida. Dos ebionitas (I século) aos adocionistas de hoje. Adversários da concepção virginal = adversários da divindade de Jesus, cuja filiação divina seria por adoção. Encarnação: mistério da transcendência e da imanência (Ga 4,4).

Sua virgindade = sinal de sua consagração a Deus na concepção e na vida. O próprio e único de Maria não é ser virgem ou a mais pura das virgens. Mas ser virgem na própria maternidade. Sua virgindade floresce na maternidade que ao invés de destruí-la, a consome e consagra (L.G. 57). Sempre virgem, sem gerar outros filhos. Prolongamento do “sim” dado à encarnação. Ela renuncia a toda relação carnal para ser unicamente mãe do Cristo.

Menção inequívoca de irmãos e irmãs de Jesus. Dificuldade de interpretação não atenta contra a fé em Cristo, primogênito da Virgem. Jesus não foi levado ao seu ministério por sua família, mas por sua percepção única. Impossível afirmar o significado de irmãos no sentido amplo ou restrito, tanto em grego (adelphos) e hebraico. Lot e Abrão (Gn 13,8); Labão e Jacó (Gn 29,15). Irmão, membro do povo de Deus (Ex 2,11) consangüinidade. Isso atinge a Virgindade Perpétua, a teologia marial e não a Cristologia. Jesus ultrapassa o clã familiar (Mt 12,46-50; Mc 3,31-35; Lc 8,15-21) faz de todos irmãos e irmãs. A Virgem por excelência. (Parto).

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