MÃE E VIRGEM


(3/12/1998)

Evaristo Eduardo de Miranda

Dia 8 de Dezembro é o dia da grande festa da IMACULADA.

Nossa Senhora da Conceição (dos Amarais, p. ex.)

Padroeira de um grande número de igrejas no Brasil e no mundo

Ela praticamente anuncia a passagem do sol pelo zênite na cidade de Campinas.

Quando o sol passa pelo zênite, ao meio dia ele ocupa o centro exato da esfera celeste. Isso ocorre duas vezes por ano e somente nas regiões tropicais.

Em Santa Catarina nunca ocorre, por exemplo.

É um momento cósmico especial.

A época é de ler a fala oracular dos céus como fizeram, há dois mil anos, os reis magos (no fundo cientistas, pesquisadores e os primeiros – por caminhos matemáticos – a “descobrir o Cristo”, mas é outro assunto ou crônica…).

Nesse dia é possível ver o disco solar no fundo de um poço.

O fundo do “nosso” é iluminado pelo sol invicto.

Ao meio dia um poste não apresenta sombra.

Não há sombra, mácula ou nódoa. Tudo brilha iluminado…

E o calor nem te falo…

A festa da cidade lembra a palavra da Escritura (anunciação),

segundo a qual Maria foi sempre a Virgem cheia de graça (Lucas 1,28)

(Mais exatamente “acumulada de graça” kekharithomené).

Cheio de graça é mesmo o Verbo divino (outro termo em grego).

Esta solenidade remonta ao século VIII, no Oriente.

No Ocidente, temos notícia desta festa desde o século IX, na

Inglaterra e na Normandia.

O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado por Pio IX, em 1854.

No relato da Anunciação, Maria como virgem e mãe não se insere na linhagem das mulheres famosas do Velho Testamento.

Ela se separa dessas mulheres pelo evento da imaculada conceição e da concepção virginal. Isso transformou, tanto o sentido tradicional da virgindade, como o da maternidade.

Essa virgindade não é mais somente uma condição para o casamento com José: Maria segue virgem mesmo depois .de conceber.

Essa maternidade não pode ser assimilada as mulheres estéreis que milagrosamente concebem na história da Bíblia (Sara, Ana, Isabel…).

A maravilha vem de que ela concebe, sem conhecer homem.

Assim, a virgindade de Maria não a impede de ser mãe e nem o fato de ser mãe de Jesus coloca em questão sua virgindade.

Essa situação única deve-se ao desígnio de Deus que, por Maria, quis encarnar-se em nossa história humana

O fato que a mulher sobre a qual veio o Espírito. criador seja virgem é um sinal disso tudo.

Tocada pela “sombra” do Altíssimo, ela torna-se o templo, o tabernáculo, daquele que por ela devia vir ao mundo. Seu ventre foi sempre visto como a mais fabulosa catedral pelos místicos.

Virgem e mãe: essa novidade designa o mistério que Deus realizou,

fazendo de Maria, mulher entre as mulheres, a mãe de seu próprio Filho.

Ou seja, pelos méritos de Jesus Cristo, Filho de Deus, Maria

Santíssima foi preservada do pecado. Por ela e nela Jesus se

encarnou, irrompendo na história humana.

A Imaculada Conceição de Maria é garantia de que o mal jamais

prevalecerá sobre os que depositam em Deus a sua

confiança. Maria é a primeira “redimida”, dando início à

história da graça de Deus nos corações.

Maria, criatura, mulher, filha de Israel.

Maria participa plenamente do mundo e não pode ser confundida com uma deusa, dessas que eram objeto de culto na Antigüidade.

Maria não está fora, nem acima da humanidade.

Ela pertence toda inteira a essa humanidade com quem Deus quis coroar sua criação.

É como mulher, em primeiro lugar, que Maria deve ser considerada.

Uma mulher entre as mulheres, (Bendita és tu entre as mulheres…)

como as mulheres de nossos dias,

que conheceu como a maioria a condição de esposa e mãe.

Maria é sobretudo aquela mulher a quem os pobres se dirigem na busca de reconforto e consolo.

Essa proximidade materna e humana , esse rosto de ternura e compaixão, fazem com que lembremo-nos dela na tristeza e na alegria.

Ontem e hoje, os homens percebem em Nossa Senhora uma mulher “da gente”, uma criatura de Deus, uma pobre de Israel, cujo rosto tão humano segue habitando a fé e a esperança dos humildes.

Por que? Porque Nossa Senhora cantou o hino em defesa dos pobres e pequeninos, no seu cântico chamado “Magnificat”.

Na Argentina lembram-se nesse dia Alícia Domon, conhecida como Caty e Leonila Duquet. Elas são uma espécie de “padroeiras” das “Mães da Plaza de Mayo”. Religiosas, viviam no meio dos pobres, participando com jejum e orações do drama dos desaparecidos. Morreram em 8 de dezembro de 1977. Hoje tornaram-se símbolo dos que lutam pela vida e justiça.

MARIA, ÁRVORE DA VIDA

Existe ainda no meio dos próprios católicos muita controvérsia quanto a devoção à Virgem Maria. Não se poderia ainda dizer pode ser que exista alguns, mas infelizmente ainda existem muitos, lideranças até.

Mas o próprio Jesus através do Evangelista São Lucas nos ensina como discernir (Lc 6,43): “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto”. Portanto a árvore se conhece pelo fruto.

Maria grávida, em visita a Santa Isabel e esta ficou cheia do Espírito Santo “…exclamou em alta voz: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.'” (Lc1,42).

Qual é o fruto do ventre de Maria? O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor.

Ora, quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Quem rejeita Maria, que é a árvore, rejeita Jesus que é o fruto.

Maria é de Jesus e Jesus é de Maria. Ou se aceita Jesus e Maria ou se rejeita a ambos.

“Maria é pura criatura saída das mãos do Altíssimo” (TD nº 14), porém “comparada, portanto, à Majestade infinita ela é menos que um átomo”, ela é um nada diante de Deus, pois somente ele é Aquele que é, conforme podemos ver em Ex 3,14, quando Moisés perguntou a Deus quem era ele, Deus respondeu: “EU SOU AQUELE QUE SOU”.

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