INVOCAÇÃO DE MARIA E DOS SANTOS


(3/6/2001)

Evaristo Eduardo de Miranda

O VII Concílio Ecumênico (Nicéia II, em 787) distinguiu nitidamente a veneração legítima de imagens (ícones) e lembranças dos santos (dulie) da adoração (latria), proibida e reservada unicamente para Deus. O culto cristão vai ao Pai, pelo Filho, no Espírito santo. O destinatário do culto é Deus e não há caminho mais direto para chegar a Deus Pai. Estritamente não se reza para Maria ou para os santos, reza-se com Maria.

A invocação é em primeiro lugar louvor gratuito pela graça feita a Maria. Não se limita a Igreja terrestre mas engloba céus e terra, como no santo, santo… Essa invocação é manifestação e expressão de uma comunhão que a morte não pode abolir. Responde ao convite do Magnificat (Lc 1,48).

eformações no culto mariano na Igreja católica. Excessos nas formas exteriores de piedade, nos livros e revistas de espiritualidade mariana e no vocabulário empregado em certas fórmulas teológicas e pastorais que colocam Maria com instrumento eficaz na economia da salvação (co-redentora). Grandes abusos no século XVI, sempre presentes na piedade mariana. Newman: sua cruz, Itália e Inglaterra (p.145). Santa Teresinha (p. 82).

Veneração compreende: honrar e louvar (como a anunciação e a visitação sugerem, autorizam e convidam). Trata-se de louvar Deus por e com Maria, de saudar nela a obra de Deus e agradecer a Deus por sua resposta exemplar.

A oração de intercessão dirigida a Maria e aos santos é uma oração transmitida a Deus, o único que pode responder e atender de própria vontade. Ela não é separadora, nem separada de nenhuma outra oração, conjuga-se com aquela dos santos de todos os tempos e lugares, vivos ou mortos, em Cristo.

Na comunhão dos santos, a oração – e principalmente a de intercessão – não implica nenhuma exterioridade entre os que rezam, aqueles para quem eles rezam e, aquele a quem se dirige essa oração. A intercessão é expressão da comunhão. Dela, é a conversação infinita. Rogai por nós – nas litanias, na liturgia, na Ave Maria é chamado em teologia culto de dulie (veneração).

Vaticano II: orientações precisas ao culto mariano que “difere essencialmente do culto de adoração prestado ao Verbo encarnado, como ao Pai e Espírito Santo”. Pede a teólogos e pregadores de “absterem-se cuidadosamente (…) de todo falso exagero, como de todo excesso de timidez” (LG 67) e manter a orientação cristológica dos cultos.

Católicos e protestantes podem estar de acordo em:

Amar, respeitar, honrar a Virgem Maria e louvar Deus por ela.

Imitar e considerá-la como exemplo, juntando-se à sua oração e louvor ao Pai.

A invocação pode conter a fórmula de um anjo e de uma santa.

A intercessão pode ser entendida como integrante da comunhão dos santos da terra e dos céus, dos humanos e do Deus trinitário, inscrevendo-se na eterna intercessão do Filho junto ao Pai, à qual responde a intercessão do Espírito em nós, pecadores e redimidos. Orar a e por Maria se torna orar com e como ela.

Protestantes e católicos com vigilância teológica e pastoral, impedindo excessos e restrições, reduziriam as incompatibilidades e as divergências. O plano de Deus de comunicar em seu Filho a humanidade criada em sua imagem e semelhança, leva a situar Maria no coração do projeto de salvação.

Só um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1Tm 2,5).

Na Virgem tudo se refere ao Cristo e dele depende (Marialis cultus. n. 25). Nessa exortação apostólica, Paulo VI dá quatro orientações: bíblica (devoção marca pela mensagem cristã), litúrgica (exercícios de piedade devem harmonizar-se com a liturgia e não confundir-se com ela), ecumênica (“A vontade da Igreja católica, sem atenuar o caráter próprio do culto mariano, é de evitar cuidadosamente todo exagero suscetível de induzir ao erro outros irmãos cristãos sobre a doutrina autêntica da Igreja Católica, e banir toda manifestação cultural contrária à prática católica legítima” (n. 32)) e antropológica (Maria constitui um modelo não no seu modo de vida, hoje ultrapassado, mas na sua fé corajosa e no seu amor ativo. Ela não foi “uma mulher passivamente submetida ou de uma religiosidade alienante, mas a mulher que não temeu proclamar que Deus é aquele que levante os humildes e oprimidos e derruba de seu trono os poderosos do mundo” Lc 1,51-53 – n.37).

Rosário/terço: louvor/invocação centrados na encarnação redentora do Cristo. Contempla-se a vida do Senhor. 150 salmos. 150 Ave.

As aparições não tem o papel de fundar a fé mas servi-la.

Não atribuir a Maria o que é próprio de Deus (inflacionismo), como perdoar.

Privilegiar a representação da Virgem com o seu Filho (cf. N. S. Auxiliadora)

Se a evocação de Maria leva a invocação, nunca abandonar as regras da fé.

Uma só fé obriga a um só batismo; um só Senhor obriga a uma atitude piedosa em relação à mãe do Senhor.

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