DIETA ESPIRITUAL PARA PAIS DE ADOLESCENTES


ENVOLVER OU DES-ENVOLVER?

(07/5/1997)

Evaristo Eduardo de Miranda

1 – Adolescente – etimologia

Do latim adulescens (entre o puer e o juvenis)

1. Biologia: período da vida humana que sucede à infância e começa com a puberdade. Ele se caracteriza por uma série de mudanças corporais e psicológicas (estende-se aproximadamente dos 12 aos 20 anos).

2. Psicologia: período que se estende da terceira infância até a idade adulta, marcado por intensos processos conflituosos e persistentes esforços de autoafirmação. Corresponde à fase de absorção dos valores sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social.

Adolere: honrar os deuses pelas chamas, cobrir de vapores.

Adolere: crescer, tornar-se maior, avançar.

(adular) (adulto) (adultério) (adulterar)

Adolescente: o adulto jovem

2 – Adolescente – o adulto jovem

Prontos para deixar a casa paterna

Prontos para viver por conta própria

Deformação corporal

Sentimentos de desvalorização e inferioridade

Falta de referência: quem sou eu?

O que significa ser um homem ou mulher autônomos?

como os adultos se comportam no mundo exterior

rito do casamento o pai leva a filha pelo braço

missão paterna: ponte entre a casa e o mundo exterior

conduzir até lá filhos fortalecidos p/ entrar no mundo exterior

principal papel da vida familiar

3 – Adolescente – o agir

Abandona os entes queridos

Afasta-se das práticas religiosas e de seus valores

Recusa o convívio e o afeto que sempre compartilhou

Torna-se cego, mudo e surdo ao mundo que sempre a envolveu.

Passa a ouvir seu coração, seu sexo e sua espécie.

O doloroso abandono do lar, familiares e amigos é vivido no conflito, na solidão, na ameaça e até na chantagem.

Vive-se um incompreensível esgarçamento do tecido familiar.

As famílias vivenciam o momento de separação com dificuldade

Lastimam a aparente perda de um ente querido como uma morte

Como um estranho, desmemoriado, o jovem deixa a casa.

Vai viver fora.

Não se importa em rever familiares, nem de participar de sua vida.

Alguns pais recorrem a psicólogos, ao charme do dinheiro, a astrólogos, quando não a polícia, para tentar re-haver os filhos.

No desespero, tentam encontrar culpados dentro e fora da família.

Mas existem filhos, mesmo adultos, vivendo na dependência do envelope alimentar e afetivo dos pais.

Vivem para comer e para beber.

Vivem a matriz abdominal como totalidade.

Outros contam com essa matriz até o pós-morte dos pais, através de heranças e acesso a seus bens materiais.

Outros se fundem de tal forma na vida familiar que não conseguem se ver fora dela.

Incapazes de amar fora da relação familiar, mergulham num trágico destino fusional e estéril.

Morrem simbolicamente ao lado dos pais

O normal é que o desenvolvimento natural do adolescente e do jovem os leve a busca de si mesmos.

4 – Basta a razão?

Necessidade de forças sobrenaturais

Necessidade de forças simbólicas e espirituais (mitos e ritos)

DIETA

Do grego díaita, gênero de vida, pelo latim diaeta.

1. Ingestão habitual de alimentos

2. Pavilhão de recreio em parque ou jardim.

3. Assembleia política de alguns Estados.

BÍBLIA

Os envelopes (envolver x des-envolver)

As matrizes: abdominal, peitoral e craniana.

Os processos:

Separar, diferenciar (identidade)

Buscar seu verdadeiro lugar (posicionamento no mundo)

Alienar ou apropriar (personificação)

Seguir ou caminhar com (relacionamento)

Perda, posse (vivência da morte)

Os exemplos:

Eva e de Maria (Gn 4,1; Lc 1,34)

José, o pai que soube retirar-se (Mt 1,19-20)

A espada de Salomão (I Re 3,16-28)

Pai contra filho (Lc 12,52-53)

Honrar pai e mãe (Ex 20,12)

Abrahão: vai para você (Gn 12,1)

Eliseu, o filho jugo (I Re 19,19-21)

Seguir ou acompanhar (Lc 9,57-62)

Talita, a filha do rabino (Mc 5,22-43)

Jesus no templo (Lc 2,41-51)

5 – Conclusão

Enquanto as crianças são pequenas a relação com elas não é de verdadeira filiação, mas de produção e posse. Uma criança é o produto de dois seres humanos. Ele a fizeram e a possuem. O lugar dos filhos é a casa dos pais, o espaço dos pais.

Mesmo quando os pais não se comportam como tiranos e buscam para o filho o melhor que podem, trabalham com uma imagem ideal da criança, sempre distante de sua própria verdade. De alguma forma, quanto mais os pais se aprofundam em psicologia infantil, em doutrinas pedagógicas, educacionais e até religiosas, talvez – mais ainda – essa imagem se torna idealizada.

Mas um dia o filho que aprende, que compreende, faz algo a mais: surpreende. O filho muda de lugar, para assumir o seu lugar. Foi o que sucedeu com Jesus, conforme conta Lucas em seu evangelho. E o que sucede e sucederá com nossos filhos.

Uma etapa decisiva na caminhada do desenvolvimento é a separação dos filhos e dos pais. Os filhos se tornam verdadeiros filhos quando partem em busca deles mesmos e abandonam o envelope familiar. O afastamento da família, da casa e até de Deus é aparente. Permitirá mais tarde um encontro maior e melhor.

O trabalho necessário para a diferenciação e a personificação do indivíduo é eminentemente psicológico e espiritual. O envolvimento cego com seus próprios fantasmas corporais e psíquicos também é longo e difícil de ser superado. O amadurecimento leva a revisão de vida, ao relacionamento amoroso e poético com os outros, à moderação e à medida.

Com o tempo e a santidade, muitos chegam, pela graça, ao abandono de tudo que não está destinado à eternidade em cada um: desde seus corpos até os seus acúmulos de conhecimentos, relações humanas e riquezas.

São os chamados seres desenvolvidos, os sábios e as pessoas maduras. Liberadas de quase todos os envelopes e matrizes, elas vivem na vizinhança do seu próprio arquétipo. Estão cientes de seu verdadeiro nome, próximas do Ser, de sua absoluta unidade, alteridade e unicidade. Que assim seja. Oxalá.

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