CONSAGRAÇÃO: SEPARAÇÃO OU COMUNHÃO?


(1/8/2005)

Evaristo Eduardo de Miranda

A consagração religiosa move o coração e as entranhas. São muitos sacerdotes, religiosas, leigos vivendo um chamado especial, uma convocação íntima em sua experiência pessoal de Deus. Quem entra na vida religiosa não desaparece. A consagração à vida religiosa não significa uma separação, nem do mundo, nem das pessoas. A Igreja sempre reprovou o eremitismo.

Na tradição do Oriente Médio, a idéia da consagração era próxima da noção de pertencer. Ser santo, ser kodesh em hebraico, significava pertencer, ser consagrado a uma divindade. Os lugares santos e as pessoas santas o são por pertencerem a uma divindade ou estarem dedicados ao transcendente. Consagração não é sinal de separação mas de aproximação, de vínculo. O Espírito Santo, o Ruah Hakodesh, estabelece a presença e comunhão com Deus e entre os homens.

É também nesse sentido que o Primeiro Testamento utiliza o conceito de santidade: o que é santo está em comunhão. Encontra-se esse pensamento no profeta Isaías quando fala do Deus três vezes santo: Santo, Santo, Santo seu rastro preenche o santuário, sua glória preenche toda a terra e o templo se preenche da fumaça do incenso (Is 6,1.3.4). A santidade exige comunicação e comunhão. Estabelece-se na relação, como nas expressões utilizadas por Isaías: Santo de Jacó (Is 29,23) e sobretudo em Santo de Israel. YHWH é o Deus que escolhe e estabelece Jacó como seu vis-à-vis, o Deus que deseja estar em comunhão com Israel. Quem entra na vida religiosa busca uma maior e especial comunhão com seus irmãos e com Deus.

Publicado em:

MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Consagração: Separação ou Comunhão. A Tribuna, Campinas – SP, 2005.

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