CATOLICISMO NO BRASIL


(17/8/2013)

Evaristo Eduardo de Miranda

Ao longo dos séculos, o espaço geográfico do Ocidente, a Europa e posteriormente as Américas, foram construídas e unificadas por católicos, baseados nos ensinamentos de Jesus Cristo, nos Mandamentos e na herança do judaísmo. Nesse espaço histórico e geográfico surgiram valores reconhecidos como universais: liberdade, igualdade, espírito crítico, tolerância, defesa da sacralidade da vida, solidariedade, fraternidade… E também aconteceram coisas negativas: intolerância, violência e perseguições, aspectos tão destacados dessa história nos dias de hoje, de forma quase obsessiva. Isso faz parte da história cristã e particularmente da Igreja católica.

No Brasil, o catolicismo construiu-se com base nos povoadores portugueses e na evangelização dos indígenas, levada a cabo por diversas ordens religiosas e, particularmente, pelos jesuítas. O esforço de inculturação do cristianismo pelos jesuítas, do qual as Missões dos Setes Povos são um exemplo, ilustram os primeiros passos de uma Igreja com rosto local. Os escravos da África, com suas crenças religiosas, trouxeram novos desafios à evangelização e à Igreja no Brasil, em sua defesa dos escravos. Nas confrarias, irmandades e movimentos devocionais todo um sincretismo religioso foi progressivamente construído, enriquecendo o ser católico no Brasil. Ele se distanciou ainda mais do modo ibérico e até romano de ser. As migrações da Europa, do Oriente Médio e da Ásia, do século XIX e início do XXI, completaram os aportes significativos ao modo de ser católico no Brasil. Os desafios da urbanização, a influência de movimentos religiosos de leigos, como a ação católica, enriqueceram o pensamento, o ser e o agir dos católicos brasileiros, já marcados por confrarias, fraternidades leigas, associações, apostolados e diversos outros movimentos devocionais dos fiéis.

A participação ativa da Igreja do Brasil no Concílio Vaticano II, o papel da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e de lideranças religiosas e intelectuais católicas também marcaram os rumos da Igreja e dos católicos, e cujo mérito não cabe aqui analisar. Durante o regime militar, a Igreja católica teve uma atuação vigorosa na defesa dos direitos humanos e das liberdades políticas.

As mudanças promovidas na Igreja levaram ao desenvolvimento de pastorais diferenciadas, às comunidades eclesiais de base, às reflexões da teologia da libertação e, sobretudo, à chamada opção preferencial pelos pobres. Enquanto isso, muitos pobres, objeto e sujeito principal dessa opção, descuidadamente, fizeram uma opção majoritária pelas igrejas evangélicas. Cansaram de ser católicos.

Com o crescimento da urbanização, da migração rural, dos novos meios de comunicação e de novos processos sociais e religiosos, e com a proliferação e o crescimento de centenas de igrejas neopentecostais, o número relativo de católicos diminuiu no Brasil, de mais de 90% para cerca de 60% da população, com grandes variações regionais. Para a Igreja sempre algo precisa mudar e mudará.

O Papa Francisco recorre com frequência ao humor e dá a impressão que o tempo de João Batista ou a época da Igreja agir como de precursora de Jesus Cristo, aplainando seus caminhos, julgando governos e cidadãos, planejando o que não executa e avaliando o que não fez, já passou. Sai o profeta e emerge o pastor? Parece que sim, mesmo se essas realidades se interpenetram. Nos gestos e nas mensagens dirigidas aos católicos por esse Papa, saído lá do fim do mundo, a época de João Batista parece ultrapassada e sucedida, enfim, pelo tempo, pelo kairós de Jesus Cristo. Deus seja louvado!

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