A LUZ DO MUNDO


(4/2/2001)

Evaristo Eduardo de Miranda

Você é uma pessoa brilhante? Brilhar neste mundo significa para muitos obter triunfo profissional, riqueza material e prestígio social. Brilhar no sentido espiritual evoca a iluminação interior, o trabalho de luz em meio as trevas deste mundo, as boas obras na vida de cada um (Jo 12,35). Quando você comparece aos cemitérios nos Finados, sua vida é iluminada pela lembrança carinhosa dos falecidos. Acendemos velas à memória dos falecidos, pois eles resplandecem em nossas mentes e corações. Eles ainda brilham e iluminam pelo bem que fizeram, pelos exemplos de amor e caridade, deixados como sementes de luz entre familiares e amigos. Sua luz não se apagou.

Vós sois a luz do mundo, disse Jesus (Mt 5,14). Uma pessoa iluminada é uma bênção de Deus para seus amigos e familiares. Estamos no mundo para fazer um trabalho de luz e não de trevas. A luz espiritual é fruto da aproximação com Deus. Cada pessoa é como uma pedra preciosa. Ela não possui luz própria, mas reflete e reverbera a luz do Criador. A vida humana é feita de trevas e luz. Elas nos cercam em permanência. Quando a luz do amor ilumina as trevas, por mais tênue que seja, tudo se torna mais fácil. As pessoas, na sua fragilidade, são como pequenas velas acesas. Sua presença é fundamental para iluminar nossa noite escura!

Eu sou a luz do mundo, disse Jesus. Aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz que conduz à vida (Jo 8,12). Todos nós somos chamados a nos iluminarmos. A seguir o exemplo de Jesus: verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Desde o século II, os cristãos batizados eram chamados de iluminados e o batismo cristão de iluminação. Quem faz o mal, odeia a luz (Jo 3,20). Na hora da morte, revela-se a plenitude desse mistério: o falecido resplandece, agora e para sempre, a luz do Senhor.

Na pior das crises conjugal, profissional ou familiar é sempre melhor buscar resolver do que dissolver. É sempre melhor buscar a luz, na palavra de um amigo, no silêncio da oração, na orientação da Igreja (At 26, 17-18). Para muitos cristãos, no momento de sua morte, a comunidade pode dizer: sua vida foi um trabalho de luz! Um cumprimento das escrituras: “Assim também brilhe a vossa luz aos olhos dos homens, a fim de que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,15).

As velas acesas nas sepulturas relembram a luz dos falecidos. Existe algo de doloroso no trabalho de luz das velas em velórios e sepulturas. Lágrimas silenciosas da cera derretida acompanham o choro dos participantes. Desconhecemos a extensão e a dimensão de nossa cera. Mas Deus nunca apaga a chama vacilante, nem rompe a palha quebradiça (Is 42,3). A chama de cada um, por menor que seja, representa muito para o caminho do outro.

Todos vêm ao mundo como velas, como chamas. Nossa vida e morte podem acender ou reacender o fogo vital, uns dos outros. A participação da comunidade cristã nos funerais e nas celebrações de Finados é uma manifestação de amor, solidariedade e esperança na ressurreição. A luz, apesar de sua fragilidade, sempre triunfa sobre as trevas.

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